A desvalorização da enfermagem na saúde brasileira

Enviada em 01/08/2023

O sociólogo Auguste Comte define a sociedade como resultado de uma ordem evolutiva, de modo que esta segue o seu curso devido e sempre de encontro ao desenvolvimento. É perceptível, porém, que esta afirmação mostra-se utópica quanto a valorização dos trabalhadores da enfermagem, haja vista que esses não têm os seus direitos respeitados, sob uma justificativa de que o sistema não teria condições para assegurá-los, ocasionando em más condições de trabalho. É visivel, portanto, que este configura-se como um grave problema social a ser enfrentado, pois é um forte empecilho para o desenvolvimento do meio social.

Primordialmente, é inegável que esses trabalhadores exercem diariamente suas funções enquanto têm de lidar com um desprezo constante ao seu trabalho, sendo a sua importância para a sociedade desconsiderada. Esse aspecto desencadeia uma série de injustiças, visto que os direitos desses individuos são simplesmente colocados em segundo plano. O escritor inglês Oscar wilde define o descontentamento como o primeiro passo para o desenvolvimento de uma nação, sendo, por connseguinte, necessário que a própria sociedade - que se beneficia com a atuação dos profissionais - demonstre seu apoio na luta em prol dos direitos dessa classe, de forma que vise incentivar a busca por melhorias.

Ademais, vê-se costantemente a alegação de que o governo, bem como o sistema privado, não possuem formas de arcar com esses direitos de forma integral, o que acarreta em questões como as dificuldades para a fixação de um piso salarial para a classe. É axiomático, contudo, que essa declaração vai contra o Contrato Social, de John Locke, onde o indivíduo abre mão de seu estado natural em prol de uma segurança que deve ser garantida pelo governo. Não é aceitável, portanto, a continuação dessa narrativa, por esta ir contra a evolução social.

Por conseguinte, é indubitável que o governo, por meio de políticas que visem uma melhor distribuição de verbas, garanta os direitos das pessoas que atuam na enfermagem, a fim de trazer dignidade e segurança a essas pessoas. Cabe, também, ao governo incentivar o setor privado a tomar medidas que valorizem esse grupo de funcionários, com o intuito de tornar a sociedade positivista uma realidade, e não apenas uma ideia quimérica.