A desvalorização da enfermagem na saúde brasileira

Enviada em 24/07/2023

Em um cenário hipotético onde não há a enfermagem, não é difícil perceber a importância da classe, já que sem ela haveria morte em massa pela falta de cui-dados paliativos e intensivos, intrumentação cirúrgica, monitoramento e muitas outras práticas hospitalares extremamente importantes. Nesse sentido, é ina-ceitável a desvalorização dos profissionais da enfermagem no ambito da saúde brasileira no que diz respeito às jornadas de trabalho exaurientes e à remuneração incompatível com todo o esforço exercido.

Em primeiro lugar, deve-se considerar o ambiente desgastante ao qual os enfermeiros estão submetidos, sendo a jornada de trabalho hospitalar exaustiva física e mentalmente. Ainda, além de todo o esforço demandado pelas tarefas mais básicas, é de praxe o convívio com a morte e a doença no local de labor desses pro-fissionais. Sendo assim, é preciso compreender que o Projeto de Lei nº2295, de 2000, que reduz a carga do plantão, se faz necessário diante da necessidade de balancear a relação existente entre a intensidade e a duração diária do trabalho.

Em segundo lugar, a má remuneração é uma difícil realidade para os profis-sionais da área da enfermagem brasileira. Contudo, a briga jurídica entre a enfer-magem, os órgãos governamentais e privados não chega a um fim, já que o aumen-to salarial pedido é negado sob a alegação da inexistência de recursos e de um pos-sível colapso do sistema de saúde. Dessa forma, o Projeto de Lei do Congresso Na-cional, de número 5, lançado em 2023, que define o aumento salarial da classe, é apenas um meio termo e não significa plena qualidade de vida aos colaboradores.

Então, o Conselho Federal de Enfermagem, por meio de investidas políticas e sociais, deve veicular conteúdo midiático que mostre a importância da enferma-gem, seguido da exposição do cenário de exploração que sensibilize a população e o governo, e justifique o apelo por melhores qualidades no cenário profissional. Uma vez que esteja feito, será possível que o CFN pressione ainda mais o Congres-so Nacional a lançar leis que garantam menores jornadas de trabalho atreladas a maior remuneração, garantindo que a exploração dos profissionais em questão seja uma prática cada vez menos presente na sociedade brasileira.