A desvalorização da enfermagem na saúde brasileira
Enviada em 03/08/2023
Desenvolvido pela editora DC Comics, o herói Batman desde os primórdios é aclamado pelo público. Entretanto, um personagem muitas vezes deixado de lado é Robin, tido como seu ajudante, embora em diversas histórias tenha papel fundamental. O mesmo ocorre na relação entre médicos e enfermeiros, sobretudo, pela elitização do curso de medicina no Brasil. Observando esse fenômeno, pode-se compreender uma das causas da qual a enfermagem é desvalorizada na saúde brasileira, e consequentemente, havendo um processo de “secundarização” e retirada de direitos da área, a qual clama por progressos.
Inevitavelmente, é observável a escassez de recursos na área da saúde, sobretudo, em hospitais públicos. Em detrimento desse fato, é indubitável o baixo valor atribuído a área, desde salários incompatíveis com o grau de especialização necessário e riscos corridos durante o período de trabalho, como problemas psicológicas e físicas, devido a forte exposição a doenças e situações calamitosas. Sobretudo, quanto mais enxergar a situação de perto, mais gritantes os problemas ficam, devido a falta de leitos disponíveis aos enfermos, pouco material de trabalho, e demais recursos escassos.
Entretanto, a falta de reconhecimento não é apenas a baixa estrutura de trabalho, mas também o escasso aporte financeiro provido aos mesmos, onde, dos cerca de 2,8 milhões de enfermeiros no país (segundo o Conselho Federal de Enfermagem), ainda sequer tem o piso salarial da profissão em vigor, embora houvera a aprovação desse direito na Câmara dos Deputados em 2022. E assim, é possível perceber a diferenciação no tratado entre cursos como o de medicina e enfermagem, tendo em vista a alta e baixa valorização dos cursos citados, respectivamente.
Indiscutivelmente, urge a necessidade de mudanças, com a finalidade de prover melhores condições aos enfermeiros da nação verde-amarela. Torna-se imprescindível o Estado aplicar imediatamente os direitos assegurados a classe pela Constituição Federal (como o piso salarial), além de maiores investimentos em estrutura de trabalho e formação, provendo não apenas dignidade aos enfermeiros, mas também maior igualdade entre as profissões da saúde.