A desvalorização da enfermagem na saúde brasileira

Enviada em 16/08/2023

Na obra “O Constitucionalismo Brasileiro Tardio”,o escritor Manuel Jorge constata que a ausência de cultura constitucional conduz à ineficácia social dos textos constitucionais.Para o autor,o Brasil é estruturado formalmente pela Constituição Federal; todavia, na prática, os direitos por ela garantidos não se encontram efetivados.Nesse sentido,esse cenário é presente na realidade brasileira,visto que a desvaloriação da enfermagem é circunstância impeditiva da efetividade dos textos da Carta Magna.Esse quadro nefasto ocorre não só em razão da negligência governamental,mas também da indiferença da sociedade.

Percebe-se,a princípio,que a débil ação do Poder Público possui íntima relação

com o revés. Diante dessa conjuntura, segundo o filósofo Thomas Hobbes,o Estado deve atuar para materializar as normas da sociedade na qual ele está inserido.Nesse viés,o equívoco eclode no erro de se acreditar que à valorização do trabalho é assegurada com eficiência em todos os segmentos do corpo social. Nessa lógica,essa insuficiência do aparato institucional no atendimento às demandas da nação geram aos enfermeiros salários injustos que não são compatíveis com os riscos e condições de seu emprego,pois apesar de ter um trabalho tão fundamental a classe é uma das piores remuneradas na aréa da saúde.

Ressalta-se, ademais, que a impassibilidade social contribui para a persistência da desvalorização de determinados grupos.Nesse contexto,o livro ‘‘Paradóxo da Moral’’ escrito pelo filósofo Vladmir Jankélévitch exemplifica a cegueira ética do homem moderno,ou seja,a passividade das pessoas frente aos impasses enfrentados pelo próximo.Analogamente,percebe-se que a dominação de classes trabalhistas em detrimento da desvalorização de outras encontra um forte alicerce na estagnação social