A desvalorização da enfermagem na saúde brasileira
Enviada em 31/08/2023
“Não há nada mais duro que a suavidade da indiferença”. A afirmação, atribuída ao escritor equatoriano Juan Montalvo, se encaixa facilmente na desvalorização da enfermagem na saúde brasileira, visto que é justamente o sentimento de indiferen-ça que cristaliza essa problemática no corpo social brasileiro. Desse modo, agra-vam o quadro central não só a baixa remuneração, mas também o desprestígio social.
Sob esse viés, é notório, a princípio, que o débil salário que é pago aos profissio-nais de enfermagem cristaliza a desvalorização desses trabalhadores na sociedade brasileira. Isso ocorre porque, por muito tempo, essa categoria não foi conduzida por um piso salarial garantindo um valor mínimo de remuneração, o que contribu-iu para que exista uma grande diferença entre os salários pagos pela a esfera pú-blica e a privada. Dessa forma, enfermeiros e técnicos de enfermagem frequente-mente enfrentam jornadas duplas e sobrecarregadas de trabalho, para compleme-ntarem a renda, o que comprova o desrespeito por esses preciosos profissionais.
Além disso, é válido ressaltar que o desprestígio social desempenha um papel sig-nificativo na perpetuação dessa desvalorização. Isso ocorre porque a sociedade, muitas vezes subestima o papel dos profissionais de enfermagem, atribuindo ma-ior visibilidade a médicos e outros profissionais de saúde. Isso contribui para a per-cepção errônea de que exista uma hierarquia na comunidade de saúde, em que enfermeiros sejam vistos como subalternos dos médicos e não companheiros de trabalho. Por isso, desfazer essa concepção é de suma importância para que essa categoria seja valorizada e almejada dentro da sociedade.
Portanto, diante da situação exposta, a Sociedade Civil Organizada deve pressio-nar o governo federal, por meio de decreto que garanta a fiscalização do novo piso salarial aprovado em 2023, através do Conselho Regional de Enfermagem de cada estado, para garantir o respeito à nova lei e o pagamento adequado de todos os trabalhadores, incluindo o retroativo. Ademais, nesse mesmo plano, o Ministério da Educação deve conscientizar a população, por meio de palestras nas escolas e campanhas nas grandes mídias, afim de reverter o desprestígio social imposto a essa profissão, mostrando o quanto ela é importante e essencial para todos.