A desvalorização da enfermagem na saúde brasileira
Enviada em 04/10/2023
A Constituição Federal de 1988 define o direito a um trabalho digno para todos, repudiando qualquer tipo de abusos e desrespeito à classe trabalhadora. Entretanto, é nítido que essa prerrogativa não se cumpre, visto a crescente desvalorização da enfermagem. Nesse quadro, aponta-se a negligência estatal e a omissão midiática como fatores que agravam o problema.
Em primeira análise, é nítido que o Estado não valoriza essa profissão, apesar de sua importância. Como afirma o sociólogo Zygmunt Bauman, algumas instituições pós-modernas configuram-se como zumbis, descumprindo com suas devidas funções na sociedade. Assim, é o caso do Ministério da Saúde, órgão governamental responsável pela gestão dessa área, que falha ao não produzir políticas dignificadoras do trabalho árduo e muitas vezes insalúbre dos enfermeiros. Dessa forma, eles são abandonados pelo Estado, lidando com salários irrisórios, além de poucos benefícios e proteções trabalhistas, apesar de serem o grupo que efetivamente mantém o hospital funcionando ao realizar funções fundamentais, especialmente com o atendimento de pacientes.
Além disso, a mídia adiciona à problemática quando não representa tal grupo. Sob esse viés, o sociólogo Pierre Bourdieu alega que as visões sociais são determinadas pelas agências, de principal a mídia. Dessa maneira, quando ela deixa demonstrar a importância desses profissionais, ela molda uma sociedade que desconhece esse trabalho. Assim, sem qualquer questionamento por parte da mídia, a sociedade fica propensa à manter ideais ignorantes, a exemplo da atribuição do prestígio à outras profissões, como a medicina, e não à enfermagem, dificultando o processo de sua valorização.
Depreende-se que, mesmo sendo fundamental, a enfermagem ainda não é respeitada no Brasil. Portanto, cabe à mídia - como TV Globo, SBT e Record-, por meio de campanhas publicitárias, redigir propagandas sobre a enfermagem a fim de elucidar a população sobre sua importância. Outrossim, o Ministério da Saúde deve, por meio de verbas governamentais, elaborar políticas assistencialistas com a finalidade de auxiliar e proteger esses profissionais.