A desvalorização da enfermagem na saúde brasileira

Enviada em 18/10/2023

Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, “Nenhuma sociedade que esquece a arte de questionar pode esperar respostas para os problemas que a aflingem”. A partir dessa máxima, contextualiza-se a importância de não negligenciar a problemática quanto à desvalorização da enfermagem na saúde brasileira, já que, no raciocínio do autor, as questões precisam ser discutidas a fim de buscar soluções. Diante disso, faz-se necessário a análise das causas e consequências da falta de reconhecimento e do desfalque salarial.

Primordialmente, deve-se pontuar que a precária valorização de profissionais da saúde - mais especificamente técnicos de enfermagem e enfermeiros - tanto de colegas de profissão quanto da população em geral, é uma das causas para a manutenção deste descaso. Segundo o médico e editor da revista The Lancet, Richard Horton, “A desvalorização dos profissionais da saúde é um reflexo de uma sociedade que não reconhece a importância vital de seu trabalho”. Nesse contexto, a falta de apreço acarreta em adoecimento mental, impactando diretamente em seu desempenho. Assim, torna-se essencial compreender a importância do trabalho desses profissionais e garantir que eles sejam valorizados e respeitados.

Ademais, a remuneração desigual também é um dos motivos para a persistência desse problema. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Qualiza de Gestão demons-tra a dimensão da síndrome de burnout entre os profissionais da área. De acordo com dados, oitenta porcento disseram ter baixa realização profissional, ou seja, a sobrecarga de trabalho não condiz com a retribuição obtida, visto que, estima-se que oito a cada dez enfermeiros tenham um segundo emprego, assim, dando ênfase às decadentes condições salariais e a falta de saúde mental.

Portanto, é de responsabilidade dos Ministérios da Saúde e da Economia, a reali-zação de um projeto salarial justo e condizente com o ofício exercido pela área da enfermagem, por meio de debates e votações com Governadores e profissionais da saúde, visando reduzir o número de esgotamentos mentais desses colaborado-res. Além disso, os Ministérios da Educação e das Comunicações devem produzir palestras em ambientes escolares - com alunos e professores - e campanhas nas mídias sociais, sobre a importância dessa profissão, almejando sua valorização.