A desvalorização das ciências humanas no Brasil

Enviada em 13/02/2022

Segundo o sociólogo Émile Durkheim, existem fatos sociais normais e patológicos, sendo que estes últimos causam danos à sociedade. Nesse sentido, a desvalorização das ciências humanas no Brasil é um fato social patológico. Sob esse viés, essa grave problemática não acontece somente devido à omissão estatatal, mas, também, por causa da negligência da mídia.

Nesse panorama, o descaso do poder público é um notório incentivador da desvalorização das ciências humanas no Brasil. Sob esse prisma, conforme o contratualista Thomas Hobbes, os indivíduos aceitam sair de seu estado de natureza para viverem em melhores condições e, assim, optam por assinar o Contrato social. Nessa perspectiva, o desleixo do Estado é uma indubitável quebra do Contrato social, porque desestimula a produção intelectual e acadêmica nas áreas das ciências humanas e, por conseguinte, deixa como legado uma marginalização cada vez maior da Pátria Amada no cenário internacional. Sob essa ótica, o poder público é inóquo nessa situação, já que não faz bom aproveitamento dos recursos públicos.

Ademais, a escassez de devido foco dos meios de comunicação é uma imperiosa promotora da desvalorização das ciências humanas no Brasil. Diante disso, de acordo com a filósofa Simone de Beauvoir, as principais adversidades são aquelas que são naturalizadas. Dessa forma, a desatenção da imprensa à desvalorização das ciências humanas é uma banalização de um empecilho danoso, porquanto a mídia não usa do seu contato com a coletividade para expor as mazelas que assolam o país e, consequentemente, motivar o povo a pressionar os governantes para mitigar a situação. Nesse viés, os meios de comunicação são criminosos nesse caso, pois não focam em problemas pertinentes, como as ciências humanas.

Portanto, para que haja um reconhecimento da importância das ciências humanas no Brasil, o Ministério da Educação deve aumentar a carga horária de História, Geografia, Filosofia e Sociologia, com o apoio da opinião pública, por meio da sanção do presidente. Somado a isso, a imprensa deve, com a ajuda da iniciativa privada, criar campanhas de conscientização sobre a importância das ciências humanas no Brasil, a fim de tornar o país melhor e, assim, próspero.