A desvalorização das ciências humanas no Brasil
Enviada em 21/02/2022
Consoante Sócrates, “a vida sem ciência é uma espécie de morte”. A declaração do filósofo grego permite uma reflexão acerca da importância de todas as esferas do saber para o desenvolvimento das sociedades. Entretanto, no Brasil, observa-se um cenário de grande desvalorização das ciências humanas. Nesse contexto, tal problemática advém do estigma associado a esse campo de estudo, acarretando uma redução dos investimentos em cursos da área.
Em primeira análise, cumpre salientar que o forte preconceito presente no corpo social contribui para a persistência dessa mazela. Nesse sentido, nota-se que o baixo retorno financeiro de profissões ligadas às humanidades, em comparação às ciências exatas, corrobora o menosprezo da área. Segundo dados do Censo da Educação Superior e no Guia de Salários da Catho, enquanto um recém-formado em Engenharia Civil ganha, em média, R$ 7.334, os formados em Ciências Contábeis recebem cerca de 37% a menos: R$ 4.631. Dessa forma, verifica-se um declínio no interesse por graduações relacionadas às ciências humanas.
Por conseguinte, é patente a progressiva diminuição das verbas governamentais destinadas a esse setor. No que se refere ao pagamento de bolsas, por exemplo, a área de Ciências Humanas representa apenas 1,4% dos gastos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, conforme o portal Guia do Estudante. Sob esse viés, observa-se que essa tendência se reflete nas instituições de ensino, as quais passam a dedicar menor atenção a disciplinas como Filosofia e Sociologia. Assim, há prejuízos para a construção e aperfeiçoamento do senso crítico dos alunos.
Depreende-se, portanto, que o preconceito social e os escassos investimentos atravancam o engrandecimento das Ciências Humanas. Urge, então, que o Governo Federal, por intermédio do Ministério da Educação - órgão responsável por todo o sistema educacional do país - amplie a concessão de bolsas e financiamentos a estudantes de Humanas, a fim de fomentar o interesse dos indivíduos na área. Ademais, é mister a realização de uma reforma no Plano Nacional de Educação, de modo a dar maior enfoque às humanidades. Destarte, será possível aumentar a valorização de tal setor em território nacional.