A desvalorização das ciências humanas no Brasil

Enviada em 17/02/2022

Sintoma de um período que foi responsável pelo cerceamento do livre pensar, a ditadura militar baniu o ensino da filosofia nas escolas. Sendo assim, atualmente, colocando em risco a formação cidadã da população, a lei sancionada em 2017 que desobrigou o ensino dessa matéria decreta a desvalorização das ciências humanas no Brasil, vítima da perseguição ideológica e do fenômeno da educação mercantil.

Em primeira análise, é válido ressaltar que a problemática do sucateamento das ciências humanas no Brasil é parte de um projeto político neofascista. Em vista disso, Jason Stanley, filósofo e escritor estatudinense, em sua obra “Como Funciona o Fascismo” cita o anti-intelectualismo como um dos pilares desse pensamento de extrema-direita. Portanto, para que esse discurso populista se difunda de maneira mais eficiente, é necessário que a formação intelectual da população brasileira esteja defasada, logo, é fundamental atacar os cursos das ciências humanas, tornando-os alvos de desvalorização para que não haja formação de pensamento crítico que questione o que está sendo apresentado por seus líderes políticos.

Além disso, concomitantemente, outro fator responsável pelo depreciamento das ciências humanas no Brasil é a educação mercantil presente nos centros educacionais. Contestado pelo pedagogo Paulo Freire, esse modelo de ensino, apelidado por ele de “educação bancária”, enxerga seus alunos como um ser passivo, dotado apenas da capacidade de absorver informação e reproduzi-la, sem questionamentos. Por conseguinte, nesse modelo alienador educacional, há uma valorização exclusiva das ciências exatas, em detrimento das matérias que estimulam o pensamento crítico e formação cidadã de seus alunos. Desse modo, com o intuito de melhorar a educação do Brasil, é importante reverter esse quadro.

Destarte, em busca de contornar o cenário de desvalorização das ciências humanas no Brasil, é dever do Poder Legislativo, por meio de um projeto de lei, tornar obrigatório o ensino de filosofia e sociologia no ensino médio, com enfoque na formação de senso crítico dos alunos brasileiros. Ademais, é papel da grande mídia, por intermédio de campanhas de conscientização, vinculadas nas redes sociais, mostrar a importância de uma educação cidadã, atenta a seus direitos e capazes de participar dos debates políticos presentes em sua sociedade.