A desvalorização das ciências humanas no Brasil
Enviada em 15/02/2022
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a valorização das ciências humanas no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Dessa forma, em razão do silenciamento e da negligência governamental, emerge um problema complexo que precisa ser resolvido.
Primariamente, é preciso salientar que a falta de debates é uma causa latente do impasse. Sob esse viés, segundo a filósofa brasileira Djamila Ribeiro, “é importante ter em mente que para pensar soluções para uma realidade, devemos tira-la da invisibilidade”. Desse modo, nota-se como a falta de discussões acerca das ciências humanas no Brasil corrobora com sua desvalorização, visto que, em detrimento do papel passivo das escolas e das mídias sociais, o tema é pouco abordado e superficialmente debatido pela sociedade brasileira, o que torna seu reconhecimento dificultado. Logo, é substancial a mudança desse quadro.
Ademais, outra causa para a configuração do transtorno é a negligência governamental. De acordo com uma matéria publicada, em 2019, pelo site UOL, o MEC -Ministério da Educação- estuda “descentralizar o investimento em faculdades de filosofia e sociologia”, o objetivo é “focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte, como veterinária, engenharia e medicina”. Dessa maneira, verifica-se uma falha na concretização da Constituição federal de 1988, aonde cabe ao Estado garantir o direito de educação e de vida plena a qualquer cidadão brasileiro, visto que o acesso às faculdades de ciências humanas é dificultado pelo próprio Estado brasileiro, tornando vulnerável sua permanência em nosso meio. Assim, a resolução da problemática torna-se dificultada.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o cenário atual. A fim de promover a valorização das ciências humanas no país, urge que o MEC crie, por meio de verbas estatais, uma campanha que realize palestras nas escolas e nas mídias sociais do governo para alertar e instruir a população quanto à importância das ciências humanas na sociedade brasileira. Tal ação pode, ainda, contar com o aumento do número de vagas nas universidades federais e particulares. Somente assim, a coletividade alcançará a “Utopia” de More.