A desvalorização das ciências humanas no Brasil
Enviada em 21/02/2022
Promulgado pela Organização das Nações Unidas em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à educação de qualidade e ao bem estar social. Todavia, a desvalorização das ciências humanas no Brasil impossibilita que uma parcela da população desfrute desse direito universal na prática. Nessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.
Diante desse cenário, a ausência de investimento do governo nessa área de estudo contribui para o impasse. Segundo o filósofo inglês John Locke, os cidadãos cedem sua confiança ao Estado, que, por outro lado, deve garantir os direitos básicos a eles. No entanto, o que se verifica, na realidade brasileira atual, é uma situação de desvalorização para o conhecimento que fornece meios fundamentais para uma análise mais crítica da sociedade, por consequência, gera um aumento na propagação de informações sem base científica. Desse modo, faz-se mister uma reformulação na postura estatal de forma urgente.
Ademais, a falta de interesse das pessoas em aprender sobre a humanidade também é fator determinante no óbice. Conforme a obra literária “Ensaio sobre a cegueira”, de José Saramago, discute acerca de uma comunidade moralmente cega, a qual é marcada pelo egoísmo e alheia aos problemas sociais. Então, não distante do romance, a coletividade que não procura entender sobre o comportamento humano e nem os fenômenos sociais, não é capaz de desenvolver empatia pelo seu semelhante. Por sequência, é notório que sem esse sentimento, os indivíduos não serão capazes de aprender com seus erros e, assim, não evoluirão.
Em suma, cabe ao Ministério da Educação (responsável pela administração educacional do país), aliado às escolas públicas, promoverem palestras, mediadas por historiadores e sociólogos, durante a carga horária escolar a fim de exaltar a importância das ciências humanas (história, sociologia, filosofia, entre outros) para o desenvolvimento da sociedade com o objetivo de despertar o interesse dos alunos nessa matéria e aumentar o senso crítico da população para passar a questionar conteúdos sem base científica. Nesse silogismo, espera-se que esse seja o primeiro passo para a construção de um futuro melhor.