A desvalorização das ciências humanas no Brasil
Enviada em 07/03/2022
Manoel de Barros, um dos representantes do barroco brasileiro desenvolveu a teologia do traste, que consiste em trazer luz a situações frequentemente ignoradas. Segundo a lógica barrosiana, portanto, é preciso refletir acerca da desvalorização das ciências humanas no Brasil. Assim, destaca-se uma visão perjorativa da sociedade brasileira e um desinteresse estatal na área de humanidades.
Nesse contexto, percebe-se o histórico enaltecimento das ciências exatas, em detrimento de outros setores do conhecimento. Sob essa perspectiva, é possível mencionar a socióloga Simone de Bevoir, que afirma que mais escandalosa que a existência de uma problemática, é o fato da sociedade se habituar a ela. Nesse panorama, torna-se inaceitável a existência de um pensamento comum que trate as ciências como desiguais, ocasionando prejuízos a seus profissionais e a população. Dessa forma, evidencia-se como essa concepção equivocada é danosa.
Outrossim, destaca-se um descaso governamental na criação de políticas públicas que valorizem a área de humanas. Em paralelo, faz-se relevante a obra “Os Bruzundangas” de Lima Barreto, em que o autor já explicitava como a falta de garantias constitucionais estava no âmago dos problemas daquela sociedade. Desse modo, destaca-se a carência de incentivos por parte do governo como um fator fundamental na conservação desse cenário precário.
Portanto, são necessárias medidas para apaziguar a questão. Destarte, cabe ao Ministério da Educação, por meio de recursos liberados pelo Tribunal de Contas da União, ampliar o programa de financiamentos para pesquisas no âmbito das ciências humanas, que serão pré-aprovadas por universidades, a fim de incentivar a valorização da área e mostrar sua real importância. Assim sendo, espera-se que o idealizado por Lima Barreto não mais se aplique a situação brasileira.