A desvalorização das ciências humanas no Brasil

Enviada em 06/03/2022

O filme “Quando Nietzsche chorou” conta a história de um filósofo, que tem seu trabalho acadêmico desvalorizado pelas pessoas de sua época. No Brasil, existem vários pensadores das ciências humanas em situações semelhantes, devido a crença de não haver utilidade neste saber. Diante disso, é necessário refletir sobre as consequências dessa problemática como é o caso da falta de pensamento crítico sobre a sociedade e a perca de espaço nas instituições de ensino.

Em primeira análise, o filósofo grego Sócrates, considerado um dos pais da filosofia ocidental, disserta sobre a construção do conhecimento humano, ele fala sobre a importância do diálogo e do senso crítico para alcançar a razão, esse processo foi chamada de maiêutica, onde o pensador ensina seus discípulos a conceber o conhecimento por si só. Nesse sentido, as ciências humanas ao trazer a tona diferentes e diversos pontos de vistas de intelectuais em relação a sociedade, carrega um potencial de despertar um pensamento autônomo no indivíduo. Entretanto, isso tem sido pouco observado na sociedade brasileira, tendo em vista a polarização social, que isola as pessoas em grupos distintos que não são dispostos a debater com diferentes ideias.

Ademais, o Japão tem chamado atenção por seus cortes nos cursos de humanas no ensino superior e diversos estudiosos japoneses condenaram essa atitude, alegando que essa é uma medida que prejudica fortemente o crescimento das faculdades. Já no Brasil, tem ocorrido um semelhante descaso em relação a algumas matérias desta área, devido a isso algumas delas precisaram ter seu ensino nas escolas garantidas por lei, como foi o caso da sociologia e da filosofia. Segundo Marcos Sidnei, doutor em Filosofia da educação, isso mostra a desvalorização dessas disciplinas no ambito escolar brasileiro.

Dessa forma, as ciências humanas precisam ser mais valorizadas. Para tal, as escolas devem inserir dinâmicas educacionais que aproveitem o potencial desta área afim de incentivar o senso crítico e o debate. E o Ministério da educação deve também promover este campo do conhecimento através de alterações na Base Curricular Comum, afim de que exista mais interesse nestes saberes. Quiçá assim, trabalhos acadêmicos sejam mais valorizados pelas pessoas de nossa época.