A desvalorização das ciências humanas no Brasil

Enviada em 26/02/2022

A identidade cultural brasileira foi formada através de poetas, historiadores e filósofos que se esforçaram arduamente para entender o país e traçar um rumo para ele. Entretanto, hoje em dia há uma desvalorização das ciências humanas no Brasil. Isso ocorre por causa dos preconceitos sociais e pela estratificação dos saberes.

Primeiramente, vale saber que durante o Regime Militar, muitos profissionais das ciências humanas foram perseguidos por retratarem o país de forma destoante do cenário defendido pelo governo. Um exemplo claro foi o geógrafo Josué Castro, preso por escrever sobre a fome das periferias de Recife. Então, como justificativa desses atos, as autoridades alastravam a ideia de que esses intelectuais eram apenas “reclamões” e “vagabundos”. Além disso, disciplinas como filosofia e sociologia desapareceram das escolas e universidades brasileiras. Dessa forma, criou-se um estigma muito forte em vários setores da sociedade relacionado à essa área do conhecimento. Lamentavelmente, esses conceitos errôneos são disseminados no país até hoje e impedem o progresso das ciências humanas no Brasil, uma vez que afasta pessoas interessadas na área e limita os investimentos do governo em pesquisas e nos cursos universitários de humanas.

Ademais, ainda existe uma herança do positivismo o qual estratifica os saberes e, consequentemente, diminui as ciências humanas no país. Nesse sentido, o positivista Augusto Comte foi protagonista: ele defendeu a superioridade das ciências exatas em relação às ciências humanas, por causa da supervalorização de tecnologias. Inspirado por essa corrente de ideia, o sistema de educação brasileiro criou um aparato que divide e qualifica cada uma das áreas do conhecimento, de forma a separar e eliminar quaisquer possibilidades de intercâmbios de ideias entre os saberes. Portanto, as ciências humanas seguem vistas como inferiores menos importantes para a sociedade.

Diante dessa problemática, fica evidente a urgência de medidas governamentais para que as ciências humanas recebam o prestígio merecido. Desse modo, faz-se necessário a ação do Ministério da Educação na reavaliação do currículo escolar, a fim de criar matérias multidisciplinares que abarquem as inúmeras formas do conhecimento de modo intrelaçado. Além disso, os novos profissionais da licenciatura precisam ter cadeiras de outros cursos da educação para liderem com essa modalidade interdisciplinar. Dessa forma, as crianças e os jovens do futuro terão consciência da importância de todos os conteúdos e irão colaborar para o fim do preconceito e desvalorização das ciências humanas, pois entenderão que todos os saberes são fundamentais para o Brasil.