A desvalorização das ciências humanas no Brasil
Enviada em 04/03/2022
O romance filosófico “Utopia” - criado pelo escritor inglês Thomas Morus no século XVI - retrata uma sociedade perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia, no entanto, diverge substancialmente da realidade contemporânea, uma vez que a desvalorização das ciências humanas ainda é um problema persistente no Brasil, de modo a dificultar os planos de Morus. Esse panorama lamentável ocorre não só em razão da hierarquização das matérias no ambiente escolar, mas também da baixa no mercado de trabalho. Desse modo, torna-se fundamental a análise dessa conjuntura a fim de reverter esse quadro.
Nessa linha de raciocínio, é primordial destacar que a carência de investimentos em programas que divulguem a importância das ciências humanas deriva da ineficácia do Poder Público, no que concerne à criação de mecanismos, QUE VISEM A MELHORIA DESSA SITUAÇÃO. Sob a perspectiva do filósofo contratualista Jonh Locke, o Estado foi criado por um pacto social para proporcionar relações harmônicas no corpo social. Entretanto, é notório o rompimento desse contrato social no cenário hodierno brasileiro, visto que, devido à carência do mercado de trabalho contribuiu para a permanência do menosprezo das ciências humanas. Destarte, fica evidente a ineficiência da máquina administrativa na resolução dessa situação caótica.
Além disso, é crucial explorar o efeito da hierarquização das disciplinas no ambiente escolar como outro agente influenciador do revés. Nesse sentido, o filme “A sociedade dos Poetas Mortos” de 1989, ilustra pela relação do professor Keating e de seus alunos, a importância do ensino e da busca por esse tipo de conhecimento, todavia há uma grande repressão por parte da direção e de pais mais conservadores, tendo em vista uma crença estigmatizante acerca dessas matérias, pois em muitos cenários as ciências exatas, por exemplo, são postas como principais.