A desvalorização das ciências humanas no Brasil
Enviada em 01/03/2022
A ilusão de que as ciências humanas são um agente figurante na educação básica brasileira é senso comum. Essa problemática é percebida pela maior carga horária e investimento financeiro nos saberes exatos em detrimento dos conhecimentos humanos, sob a justificativa de baixo retorno financeiro. Porém, as ciências humanas, assim como outras ciências, são fundamentais e não podem ser hierarquizadas por meros fatores financeiros. Portanto, nesse cenário, é evidente a exigência urgente de atitudes governamentais e educacionais.
Primeiramente, retorno financeiro não é sinônimo de importância. “Um povo sem história está fadado a cometer, no presente e no futuro, os mesmos erros do passado” a frase de Emília Viotti destaca a grande importância da história e dos historiadores. Eles, por exemplo, apesar de estarem longe de ganhar salários generosos como os de um médico, têm um papel fundamental para a sociedade, preservando culturas e conhecimentos que permitem aprimorar o corpo social.
Em segunda análise, é primordial que o estudante brasileiro tenha um contato equilibrado com as diversas áreas do conhecimento para uma formação com excelência. É a partir de uma diversidade dos conhecimentos que se pode entender a sociedade e construir uma visão de mundo, sendo o objetivo da educação formar cidadãos. Portanto, a educação não deveria estar focada apenas em formar profissionais lucrativos, mas, sobretudo, em desenvolver o bom caráter dos indivíduos.
Nesse cenário, é necessário e de extrema importância que se tome uma atitude para neutralizar a problemática. Para isso, o Governo Federal brasileiro juntamente com o Ministério da Educação devem investir de maneira homogênea nos campos do conhecimento da educação básica. Estabelecendo, de forma obrigatória, cargas horárias igualmente divididas através do roteiro educacional nacional, além de realizar aplicações de recursos financeiros de maneira igualitária entre as áreas. Dessa forma, pretende-se emancipar a injusta hierarquização do conhecimento entre saberes exatos e humanos, ademais, objetiva-se assegurar que a educação cumpra sua função de formar cidadãos plenos com excelência.