A desvalorização das ciências humanas no Brasil
Enviada em 04/03/2022
No livro “Manifesto Comunista”, Karl Marx reforça a necessidade de a classe trabalhadora ser detentora de conhecimento do seu papel dentro da história para conseguir romper com a exploração capitalista, a qual nos torna refém da classe dominante. De maneira análoga ao livro, as ciências humanas cumprem esse papel histórico de conscientização da sociedade acerca de sua identidade, seus valores e memória. Dessa forma, cabe o debate sobre a relevância dessa disciplina para formação social e o perigo da alienação resultante da desvalorização de tal.
A priori, de acordo com pensamento de Paulo Freire, quando a educação não liberta, o sonho do oprimido é ser opressor. Logo, o estudo das ciências sociais – como filosofia, história, geografia e sociologia – é imprescindível na construção da narrativa brasileira e no combate das injustiças sociais. Pois, somente assim, é possível a análise crítica e compreensão do impacto ambiental, econômico e político da relação do homem com o seu meio social. Ademais, é através da liberdade de pensamento que a sociedade evolui e atinge sua consciência de classe, o que faz com que em posse de seus direitos como cidadãos, abdiquem da condição de dominados.
Em segunda análise, Martha Nussbaum, professora de filosofia, classifica uma nova tendência no mundo chamada “education for profit”, ou seja, educação para o lucro e crescimento econômico. Dessa forma, com o avanço da globalização, a obtenção de riqueza torna-se prioritária no processo, o que explica a desvalorização das ciências humanas no Brasil. Pois, visto que a finalidade da disciplina não é essa, surge a discrepância nos salários dos educadores das áreas de exatas e humanas que dificulta a busca por tal. Ademais, há uma redução da carga horária dessas matérias nas escolas, intensificando o “desdém” da abordagem desse conteúdo.