A desvalorização das ciências humanas no Brasil

Enviada em 03/03/2022

Partindo do nascimento da filosofia até a contemporaneidade, a busca pelo entendimento do que constitui e cerca o ser humano foi amplamente fomentada pelas ciências humanas. Entretanto, os preconceitos e as falsas concepções de inutilidade, no sistema social, impulsionaram a depreciação dessa área do conhecimento, no Brasil. Diante desse cenário, é imperioso entender que a ausência de tal campo no país ocasionaria a falta de senso crítico dentro da realidade social, bem como a estagnação evolutiva da sociedade.

Sob uma conjuntura inicial, é pertinente discernir que as ciências humanas são responsáveis por instigar o pensamento e a compreensão do mundo nas mais vastas dimensões. Nesse sentido, desvalorizar esse campo científico é ignorar meios para atingir o desenvolvimento intelectual juntamente com entendimento daquilo que rodeia o indivíduo, favorecendo, assim, as sucessivas formas de influências externas e a consequente alienação. O educador e filósofo Paulo Freire, nessa perspectiva, aponta para a autonomia intelectual como a forma independente e crítica de pensar, alcançada com auxílio da educação, evidenciando-se, desse modo, a extensa importância que as ciências humanas possuem nesse cenário brasileiro.

Ademais, aponta-se para esse âmbito científico como um grande motivador dos progressos alcançados atualmente. Diante dessa ótica, tendo acesso aos acontecimentos anteriores, a humanidade é capaz de evitar futuros equívocos com base no aprendizado de erros passados. No entanto, o filósofo Baruch Espinoza, afirma que os homens são mais conduzidos pelos desejos cegos que pela razão, indicando que, atualmente, vive-se uma distorção de valores a partir da qual ocorre a perda de espaço das ciências humanas dentro da sociedade brasileira.

Depreende-se, portanto, que a valorização das ciências humanas é fulcral para o desenvolvimento do atual sistema social brasileiro. Destarte, o Estado, deve fortalecer gradativamente as pesquisas realizadas e divulgar vigorosamente os resultados dessa esfera científica, objetivando uma melhor estrutura aos especialistas da área e a consequente remoção da visão negativa. Dessa maneira, uma sociedade menos cega como afirma o filósofo Espinoza irá se concretizar.