A desvalorização das ciências humanas no Brasil
Enviada em 07/03/2022
A ciência trabalha de maneira a armazenar e organizar conhecimentos de diversas áreas, os quais foram utilizados para aprimorar as condições de vida das civilizações humanas ao longo de milênios. No entanto, o campo dos conhecimentos humanos está, no Brasil contemporâneo, sendo menosprezado, o que constitui uma ameaça à criação de políticas públicas eficientes para atender as necessidades da população nacional.
O fenômeno em questão tem como uma de suas principais causas a aplicação de uma concepção utilitarista, apresentada por figuras públicas e por cidadãos, sobre os campos da ciência. Com ela, os investimentos na geração de conhecimento acadêmico são concentrados preferencialmente nas áreas de exatas e biológicas, por proporcionarem resultados a curto prazo e por estarem mais diretamente ligados ao mercado de trabalho, diferentemente do que ocorre com as ciências humanas, como mostra um estudo produzido pela agência de negócios ManpowerGroup, o qual evidencia que o setor de serviço que abrange essa área do saber está entre as cinco áreas com menos oferta de empregos.
Apesar dos conhecimentos produzidos pelas ciências humanas não terem aproveitamento imediato, eles são imprescindíveis para, futuramente, criar políticas públicas eficazes e, dessa forma, melhorar a qualidade da vida de diversos grupos da população. Noções como topografia, pluviosidade e várias características demográficas são necessárias para que o Poder Público, em suas múltiplas esferas, consiga compreender as características da população e agir de maneira eficaz para atender as demandas e necessidades dos mesmos.
Assim, visto que as ciências humanas são uma ferramenta essencial para garantir uma gestão pública competente, é de suma importância que que o Governo Federal, por meio de uma elevação substancial nos investimentos em cursos superiores de conhecimentos humanos das universidades federais, como filosofia, sociologia, geografia e ciências sociais, estimule a produção científica dessa área do saber. Dessa forma, a população brasileira poderá usufruir de melhores gestões públicas e, portanto, de uma melhor qualidade de vida.