A desvalorização das ciências humanas no Brasil

Enviada em 03/03/2022

Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da educação nacional (LDB), o ensino deve ser ministrado com base no pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas. Mas, com a cultura de desincentivo das ciências humanas, isso não é colocado em prática, uma vez que se constituem formas críticas de didática. Destarte, torna-se profícuo abordar sobre como a desvalorização das ciências humanas é efeito de uma proposital estretégia acrítica, a qual proporciona cidadãos mecânicos.

A princípio, é relevante explorar acerca do esquema Estatal para a intencional falta de criticidade populacional com o desincetivo das ciências humanas. Nessa perspectiva, desde a invasão portuguesa, a filosofia e a sociologia estavam restritas à classe dominante. Depois, quando foram inseridas no ensino médio em 1930, foram retiradas, em 1960, no contexto da Ditadura Militar, pois, pensar, se posicionar e agir contra o regime era considerado crime. Isso demonstra que tais ciências promovem a criticidade direta, de modo que se tornam ameaças ao governo, o que o faz desinvestí-las. Destarte, entende-se que a razão da desvalorização da ciências humanas é uma estratégia para a acriticidade.

Além disso, o desestímulo às humanidades possibilita o surgimento de indivíduos inconscientes. Dessa forma, segundo o pedagogo brasileiro Paulo Freire, existe uma didactologia da passividade, ou seja, uma educação bancária, burguesa e depositora de informação, a qual forma alunos dóceis. Isso resplandece que o ensino objetivo e lógico elimina a curiosidade, a criatividade e o espiríto crítico, sendo imprescindível a presença de ciências que promovem tais aspectos. Assim, capta-se que a desvalorização das ciências humanas forma cidadãos mecânicos.

É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para o reconhecimento das ciências em pauta. Cabe, então, ao Governo Federal, juntamente ao Ministério da Educação, proporcionar a valorização das ciências humanas, por meio do direcionamento de verbas para essas áreas, como o investimento nos respectivos cursos superiores e nas matérias escolares, para que se formem alunos devidamente críticos. Somente assim, a LDB será cumprida e o governo nacional pagará a dívida intelectual que tem com a população, o que a transformará em uma com capacidade de discernimento.