A desvalorização das ciências humanas no Brasil
Enviada em 03/03/2022
A constituição de 1988, documento mais importante do país, prevê, em seu artigo 6 o direito à educação como inerente a todos. Entretanto, sua prática não se reverbera com êxito no quesito da valorização na área de ciências humanas, visto que há um mercado de trabalho restrito com um baixo retorno financeiro. Dessa forma, não só a negligência do Estado, como a falta de empatia - reflexo do individualismo - solidificam tal mazela.
A princípio, deve-se ressaltar que a ausência de medidas governamentais é uma das causas do problema no país. Nesse sentido, apesar da área de humanas ser uma peça chave para o entendimento da história e da humanidade, o Estado não oferta vagas de empregos justas nesse setor. Essa conjuntura, segundo o filósofo John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre o seu dever de ofertar empregos dignos e valorizar a educação.
Ademais, a problemática encontra terra fértil no individualismo e na falta de empatia. Isso porque a área de ciências sociais sofre preconceitos por ser uma matéria de fácil entendimento e acesso, onde há nos meios tecnológicos, vídeos e textos que “ensinam” a população sobre acontecimentos passados e presentes. Na obra “modernidade líquida”, Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo meio digital, o que resulta em um forte empecilho para mudar o cenário atual da desvalorização das ciências humanas.
Portanto, medidas são necessárias para mudar tal conjuntura. Para isso, é crucial que o Ministério da Educação por intermédio de verbas do Estado, realize eventos socioculturais, em museus e teatros a fim de valorizar o campo de humanas e mostrar para a sociedade a importância da história, filosofia e geografia em nossas vidas. Bem como, reajustar o campo empregatício e o seu retorno financeiro, para que eles sejam tão valorizados quanto as outras áreas educacionais. Dessa maneira, será consolidada uma sociedade em que o Estado cumpre corretamente seu dever constitucional e social.