A desvalorização das ciências humanas no Brasil

Enviada em 05/03/2022

As ciências humanas podem ser entendidas como um conjunto de campos de estudo que, por meio de diferentes abordagens, procuram entender o comportamento, as ações e as produções humanas ao longo do tempo e da vida em sociedade. Apesar de desempenhar tão importante função, o que se observa no Brasil é a descalorização dessas ciências. Esse fato pode ser percebido pela diminuta presença das aulas relacionadas às disciplinas de humanidades em comparação com as de ciências exatas, bem como pelo preconceito de parte da população em relação ao efetivo papel dessas áreas de atuação na realidade social.

Sob tal perspectiva, é válido destacar a maneira como o planejamento de aulas previsto para todas as escolas brasileiras desvaloriza o papel as ciências da humanidade. Isso porque, para o filósofo inglês John Locke, é responsabilidade do Estado garantir os direitos básicos do cidadão, incluindo-se nesse cenário a educação. Contudo, ao limitar a presença de aulas de Geografia e História e supervalorizar as de Matemática, Química e Física, por exemplo, o Estado tolhe o direito do indivíduo a uma educação efetiva, além de disseminar a ilusão de que as ciências humanas são menos importantes que as demais.

Ademais, cabe-se salientar como o preconceito de uma parcela do corpo social, sobretudo a mais conservadora, influência essa situação. Nesse sentido, segundo o educador Paulo Freyre, quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é se tornar opressor. Isso significa dizer que a educação que não estimula a reflexão contribui para a alienação do indivíduo sobre o mundo ao seu redor, perpetuando o ciclo de poder e desigualdades que a tanto assola o país. Sendo assim, por fomentar o pensamento crítico, muitas vezes as áreas das humanidades são descaracterizadas e tidas como uma fonte disseminadora de ideologias.

Portanto, urge a superação de tal cenário. Para tanto, é dever do Ministério da Educação, equiparar a importância dada às ciências humanas por meio de uma reformulação crítica do projeto educacional brasileiro, a fim de despertar o interesse e a consciência dos estudantes sobre a importância dessas disciplinas. Outrossim, o Estado deve criar projetos que, através de campanhas e palestras com profissionais da área, visem combater o preconceito e valorizar tais campos.