A desvalorização das ciências humanas no Brasil
Enviada em 07/03/2022
Na mitologia grega, a Esfinge de tebas submetia os viajantes que por ela passavam a um enigma. A setença “decifra-me ou te devoro” era a regra. Diante desse desafio, a expansão do conhecimento era fundamental para a sobrevivência. Esse mito pode ser relacionado com a desvalorização das ciências humanas no Brasil, já que “decifrar” essa problématica revela-se como uma forma de não ser devorado por ela. Nesse prisma, cabe analisar essa questão no país.
Antes de tudo, nota-se que o Poder Público se mostra negligente ao permitir essa desvalorização. Isso porque há uma falha no processo de conscientização, uma vez que falta informar as pessoas sobre a importância das ciências humanas, como por exemplo, a sociologia, que tem como objeto de estudo a sociedade, o que pode gerar a falta de conhecimento sobre o comportamento social. Sendo assim, constata-se que o governo não tem garantido o bem-estar de todos os cidadãos demonstrando, dessa forma, a ruptura do contrato social teorizado pelo filósofo John Locke.
Ainda, pontua-se, que essa desvalorização das ciências humanas é uma má conse-quência da falta de engajamento coletivo. Como prova disso, verifica-se que uma parte da população tem mostrado certa inércia em não lutar por investimento financeiro, posto que, faltam verbas para ampliar os centros de pesquisas sobre os elementos políticos, econômicos e como eles estão interligados entre si, comprometendo, assim, o desenvolvimento de uma análise crítica do mundo e dos indivíduos. Esse cenário pode ser explicado a partir dos estudos do sociólogo, Zygmunt Bauman, visto que, em virtude da cultura do individualismo, as pessoas passaram a negligenciar os problemas comunitá -rios após a Segunda Guerra Mundial.
Ressalta-se, portanto, que essa desvalorização deve ser superada. Logo, é neces-sário exigir do estado, mediante debates em audiências públicas, sobre a conscientização estatal, objetivando garantir um conhecimento maior sobre as relações sociais. Ademais, é importante sensibilizar a população via campanhas midiáticas produzidas por ONG’S, sobre a importância dos elementos de estudo das ciências humanas para que se adote uma postura não resignada em perante tal proble-mática, potencializando, assim, uma mobilização em prol de um governo mais bem articulado. Desse modo, seria possível desvendar esse “enigma” contemporâneo.