A desvalorização das ciências humanas no Brasil
Enviada em 08/03/2022
Primo Levi, escritor italiano e sobrevivente do Holocausto em Auschwitz, falava da importância de se conhecer o passado, para entender o presente e não repitir os mesmos erros no futuro. Ou seja, essa perspectiva mostra o quanto são fundamentais as ciências humanas na construção da História das sociedades. Porém, no Brasil, existem mudanças que estão provocando efeitos nocivos a elas, que são a Globalização e os movimentos políticos reacionários.
Em primeiro lugar, o pesquisador Milton Santos dizia que a Globalização, por meio dos avanços tecnológicos, gerou uma revolução técnico-informacional, porque possibilitou uma formidável integração das cadeias produtivas e dos mercados ao redor do mundo. Entretanto, esse fenômeno elevou o grau de alienação das sociedades, pois as trocas comerciais e culturais são tão rápidas e, também, desiguais, que causam um descolamento das pessoas com as coisas das humanidades, como, por exemplo, História, Geografia e Sociologia.
Segundamente, grupos extremistas vêm crescendo em todo lugar do planeta, e o nosso país também foi envolvido por essa onda. E a expressão máxima disso é a tentativa de aprovar projetos chamados de “Escola sem Partido”, que na prática é um ataque aos docentes das ciências humanas, pois o desenvolvimento crítico representa uma ameaça à existência de tais organizações políticas. Além do mais, o conteúdo dessas Leis são contra as cláusulas pétreas positivadas na Constituição Federal, que obriga a todos os entes federativos a oferecerem uma Educação de qualidade e inclusiva.
Portanto, fortalecer e dar a devida ênfase às ciências humanas são importantes, pois elas são instrumentos que nos tornam capazes de fazer análise críticas do meio em que vivemos. Por isso, o Estado, através do Ministério da Educação, precisa investir na formação de profissionais dessas áreas, melhorar a grade curricular dos cursos de humanas nas universidades e ampliar a carga-horária delas nas escolas de ensinos fundamental e médio. Como também, a sociedade civil organizada pressione o Legislativo a não aprovar leis que intimidam e cerceam a liberdade de cátedra dos professores em sala de aula.