A desvalorização das ciências humanas no Brasil
Enviada em 09/03/2022
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos, com os cidadãos gozando da eficiência do Estado. No entanto, a desvalorização das ciências humanas no Brasil dificulta a realização dos planos de More. Esse cenário adverso é fruto da negligência estatal e da falta de conscientização popular.
Inicialmente, é fulcral salientar que a indiligência do Estado é fator determinante para a continuidade da problemática. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprir sua função social. Sob essa ótica, o Ministério da Educação ao longo dos anos permitiu a depreciação dessas áreas, que tornaram-se cada vez menos presentes na vida dos estudantes numa tentativa de mudanças orçamentárias que os dicentes foram os principais perdedores.
Outrossim, é imperativo ressaltar a falta de conscientização popular como impulsionador do embate. Desse modo, o filósofo alemão Karl Marx discorre em uma de suas obras “Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência.” Nesse sentido, a consciência pessoal é resultado das interação social, sendo assim a sociedade ter consciência sobre a desvalorização das ciências humanas é fator de vital importância para conter o dilema.
Infere-se, portanto que medidas são necessárias para conter a desvalorização das ciências humanas no Brasil. Dessarte, com o intuito de mitigar o imbróglio, necessita-se, urgentemente, que o Ministério da Educação, realinhe as verbas orçamentárias, com o propósito de dedicar oportunidades igualitárias aos estudos das áreas, por meio de adequação na BNCC e de formação de profissionais que iram ensinar esses temas. Além disso, cabe ao Ministério da Cidadania conscientizar a população da importância desses conteúdos, por meio de palestras nas escolas e universidades, juntamente com o apoio de ações da mídia para propagar a relevância desses estudos. Somente assim a coletividade alcançará a Utopia de More.