A desvalorização das ciências humanas no Brasil

Enviada em 11/03/2022

Já afirmava o filósofo Edmund Burke que “o povo que não conhece sua história está fadado a repeti-la”, pois, descartando a trajetória histórica, geográfica, social e filosófica de uma sociedade, o futuro da mesma seria um grave colapso, ao passo que as ciências humanas são a base para a evolução da espécie, por serem os meios de estudar o que foi, e o que pode se tornar de qualquer âmbito social, inclusive a comunidade brasileira.

No clássico do cinema “Matrix”, é ilustrada uma visão de futuro distópico onde pessoas vivem em um mundo “falso”, insensíveis, ou negligentes, à opressão que vem de indivíduos detentores do poder que os “controla”. Mesmo fictícia, a história exemplifica o que acontece com um mundo onde o avanço tecnológico é excepcional, mas o cuidado pela compreensão das condições de vida como um todo é ausente. Como ditado por Platão em sua “alegoria da caverna”, uma vida completa só se estabelece quando pensamos além do que vemos, analisando e reavaliando os aspectos totais do mundo ao nosso redor, e os pensamentos em nossa mente.

Outrossim, o fundamento de tudo que existe hoje veio de algum acontecimento que já existiu. O Brasil atual não seria o mesmo se não fosse pelos influentes ideais revolucionários iluministas, pela mistura de povos durante o Período Colonial, pelos avanços e falhas da grande Revolução Industrial. Compreendendo a história do mundo, o que levou guerras a serem travadas, países a serem deixados, movimentos em prol da justiça a serem iniciados, é a única forma de refletir sobre qual seria o próximo passo lógico a ser dado para o bem-estar do país e de sua população.

Sob esse viés, a necessidade da valorização das ciências humanas fica mais evidente do que nunca. Para atingir uma plena difusão dessas áreas do conhecimento, o Ministério da Educação e o Governo do Brasil devem reafirmar ainda mais a importância delas, reforçando sua presença em escolas e ambientes de aprendizado, com aplicações de atividades e projetos que visem mostrar ao povo o quanto a vida deles é definida por algo que veio antes, sem jamais cogitar a redução do entendimento da condição de vida de todos do imaginário popular.