A desvalorização das ciências humanas no Brasil

Enviada em 13/03/2022

Durante a Antiguidade, houve o desenvolvimento de estudos que propunham a interpretação da condição humana e a busca pela racionalidade, o que se nomeou “filosofia”. Porém, esta é hoje associada a tempos longíquos e que pouco influem na dinâmica moderna. Logo, percebe-se que as ciências humanas, no Brasil, sofrem o crivo da desvalorização, em razão, principalmente, do panorama histórico de desigualdade social e escolar do país e da precariedade dessa área no mercado de trabalho.

Mormente, deve-se ressaltar que o Brasil possui uma disparidade entre as classes sociais, a qual se iniciou no período colonial e contou com a concentração de poder nas mãos de poucos. Esse poder, unido a governos centralizadores e pouco diversificados ideologicamnete, contribui para que grande parcela da população não tivesse acesso à educação de qualidade. Somado a isso, a diferença no rendimento escolar público e privado reduz a quantidade de cidadãos que, desde a infância, tem um contato ávido com as ciências que exploram o juízo crítico sobre a realidade social, permitindo que o indivíduo questione-a e interprete-a. Vê-se, então, que essa desvalorização está enraizada ao senso comum, que continua a classificar esse conhecimento como uma “sub-área”.

Assim, a desvalorização desses conteúdos sucatea as profissões que tratam diretamente com os mesmos, vigorando baixos salários e investimentos, além do preconceito por serem consideradas de menor importância que as ciências exatas. Para o Brasil, as consequências desse ato são danosas na medida em que dificultam o crescimento moral, intelectual, social e econômico da população e não tornam o cenário mais favorável às futuras gerações.

Destarte, é preciso atenuar o impasse. Para tal, o Ministério da Educação deve incitar o aprendizado dessa área nas escolas, por meio de programas que alinhem leitura, exercícios de reflexão e aulas sobre os diferentes temas sociais que compõem o cotidiano do alunado. Ter-se-á, pois, o início da quebra do senso comum que desvaloriza essas ciências. Também, as empresas precisam diminuir o preconceito contra esses profissionais através de investimentos a pesquisas e ampliação de vagas aos recém-formados, contribuindo para elevar sua atuação.