A desvalorização das ciências humanas no Brasil

Enviada em 20/03/2022

“A educação não transforma a sociedade, mas forma sujeitos capazes de fazê-la”, Paulo Freire. Sob essa ótica, a desvalorização das ciências humanas no Brasil fere diretamente a possibilidade de progresso da Nação, uma vez que estimula a alienação de cidadãos, bem como a formação de governos voltados exclusivamente para a produção e lucro acima de tudo.

Sob esse viés, a crescente falta de valorização das ciências sociais colabora para a alienação da sociedade. Nesse sentido, o livro “O conto de Aia”, de Margaret Atwood, caracteriza uma sociedade proibida de aprender as vertentes humanas em paralelo com a completa passividade daquele povo frente ao regime fascista instaurado. Dessa forma, pode-se apontar a desvalorização de áreas como a literatura e filosofia como alicerces para o surgimento de grupos sociais alheios à pluralidade brasileira e propícios ao pensamento extremista, como o fascismo.

Além disso, as áreas sociais do saber humano não se encaixam em um quadro de valorização para um sistema econômico, tal como o capitalismo. Nesse contexto, a série “Black Mirror”, apresenta uma sociedade carente de ciências sociais e a robotização crescente do pensamento tanto das pessoas, quanto do sistema de governo que visam somente a produtividade, o que exemplifica a escassez do pensamento crítico estimulado por essas ciências. Desse modo, é notável que os conhecimentos humanos são encarados como baixos produtores de bens de consumo, em detrimento das ciências exatas, por exemplo, o que acentua a desvalorização delas, pelos governos que visam somente o lucro constante.

Portanto, a fim de promover a devida valorização das ciências humanas no Brasil, é dever da própria comunidade, representada pelos movimentos sociais, reivindicar melhorias nesse campo. Para tanto, eles devem promover manifestações a fim de aprovar leis que estimulem o aumento do repasse financeiro para professores e escolas voltadas para o pensamento menos tecnicista. Ação que sem dúvidas estimulará o reconhecimento e crescimento delas no Brasil.