A desvalorização das ciências humanas no Brasil
Enviada em 23/03/2022
As Ciências Humanas – conjunto de conhecimentos que têm como objetivo o estudo do homem como ser social – desenvolveram-se por meio de conhecimentos acumulados desde o Período Paleolítico Médio, iniciado há cerca de 42.000 anos, a partir das primeiras manifestações artísticas do ser humano. No entanto, esses conhecimentos milenares vêm sendo erroneamente subjulgados pela sociedade brasileira, seja devido à saturação do mercado de trabalho, seja devido a falhas no sistema de ensino, que desvalorizam a área.
Sob esse víes, deve-se destacar, a priori, que o problema advém, principalmente, da elevada quantidade de profissionais, em oposição à baixa quantidade de postos de trabalho. Nesse sentido, a título de exeplificação, dados divulgados pela OAB – Ordem dos Advogados do Brasil – afirmam que a nação verde-amarela conta com um advogado para cada 190 habitantes: um dos maiores quantitativos do mundo. Assim, por objetivar o lucro, as corporações, de maneira velada, se aproveitam dessa situação, oferencendo salários irrisórios à categoria, o que contribui para a perpetuação da desvalorização desse profissional.
Outrossim, é indubitável que o defasado projeto pedagógico tupiniquim contribui negativamente com a depreciação das Ciências Humanas. Nesse contexto, ao se analisar a DCNEM – Diretriz Nacional Curricular do Ensino Médio – observa-se que a atenuação da densidade teórica dessas matérias é uma realidade, sendo que algumas delas, como as Artes Cênicas, chegam ao ápice de serem completamente ignoradas. Consequentemente, devido a disseminação em massa de um conhecimento reduzido, essa área do conhecimento passa a ser equivocadamente subjulgada pela população, que passa a considerá-la simples.
Frente a tal problemática, faz-se urgente, pois, que o Poder Executivo, por intermédio do Ministério da Educação, responsável pela formulação da DCNEM, mobilize-se a fim de combater a desvalorização das Ciências Humanas no Brasil. Cita-se, como uma das possíveis ações, a reformulação das diretrizes nacionais de educação, acrescentando fundamentações teóricas para essa área do conhecimento, bem como o estímulo ao incremento de postos de trabalho, para que, por fim, o estudo do homem como ser social seja novamente apreciado.