A desvalorização das ciências humanas no Brasil

Enviada em 30/03/2022

Cofúcio, filósofo chinês, afirma que, caso queira prever o futuro, é necessário estudar o passado. Porém, hodiernamente, mesmo tendo extrema relevância na construção social das pessoas, o estudo das ciências humanas, como a história, vem sendo desvalorizado pelo Estado brasileiro em detrimento das ciências exatas. Esse descaso impacta diretamente no condicionamento intelectual da população, abalando a compreensão do mundo como organização políticosocial, além de afe-tar o desenvolvimento de senso crítico, criando uma sociedade absorta; então, as ciências humanas precisam ser estimadas.

Em primeira instância, destaca-se a importância da história, geografia e sociologia, por exemplo, que fazem parte das ciências humanas, para o entendimento da geoppolítica atual. A organização mundial descende de inúmeros conflitos, tratados, da disponibilidade de recursos naturais, entre outros. Citando caso análogo, a Guerra da Ucrânia, que teve seu início em 2022, é uma consequência da Guerra Fria, que foi encerrada em 1991. Portanto, o estudo dessa área é imprescin-dível para que a comunidade não esteja alheia às situações enfrentadas atualmente.

Ademais, a criticidade proposta por essa área é relevante para a formação de cérebros pensantes e questionadores. Porém, levando em conta o viés governa-mental manipulador e capitalista, isso não é uma característica interessante. De acordo com Carlos Drummond, poeta brasileiro, a educação visa melhorar a natu-reza do homem, o que nem sempre é aceito pelo interessado. A redução de investi-mentos nas ciências humanas contribui para a criação da massa de manobra, o que é atraente para governos de tendência totalitária. Dessa forma, a valorização dessa parte da educação é necessária para o bom funcionamento da sociedade.

Diante do exposto, fica claro que as ciências humanas são importantes e precisam ter seu valor reconhecido no ambiente acadêmico. Nessa lógica, cabe ao Ministério da Educação promover alta qualidade no ensino superior da área de humanas, por meio de investimentos em pesquisas e na infraestrutura das faculdades, a fim de incentivar o interesse em cursos dessa área, como o de ciências sociais, por exemplo.