A desvalorização das ciências humanas no Brasil

Enviada em 05/04/2022

Jean Paul Sartre, filósofo francês existencialista, expõe em sua obra “Os Caminhos da Liberdade”, o vínculo existente entre a liberdade e a responsabilidade social, em que, indivíduos e intituições devem agir de forma ética. Á luz da perspectiva sartreana, para análise da desvalorização das ciências humanas no Brasil, nota-se que esta rompe com o filósofo supracitado engendrada por uma construção histórica de supervalorização de um sistema liberal que busca lucro imediato amparada pela desvalorização de valores sociais que segregam toda uma sociedade, sendo necessário assim caminhos que resolvam esse impasse.

Com efeito histórico, consolidou-se no Brasil sob o governo de Jucelino Kubistchek a valorização de uma educação de escolas técnicas voltadas a formação de operários para atender as demandas dos grandes centros industriais, como mostra a música Contrução de Chico Buarque. Todavia, o investimento voltada às ciencias humanas passou a ser deixada de lado por não ser considerada um investimento de curto prazo, como provado pelo sociólogo Bauman, que considera a sociedade e a economia frágeis e imediatistas.

Como consequência do baixo investimento em ciências humanas, é possível notar um exército de indivíduos imediatistas, fúteis, sem consciência coletiva, empatia, desumanizados e segregados. Tal processo criou uma falsa idéia de que o ter é melhor do que o ser, alienando o ser como indivíduo pensante e único, sendo assim, uma sociedade paradoxal à sociedade proposta por Sartre.

Fica claro a necessidade de um compartilhamento de responsabilidades com o propósito de resolver esse impasse. As escolas, como gestores formadores educacionais, devem orientar a população a respeito da educação como forma de liberdade social, intelectual e humana, por meio de clubes de livro em praças públicas e escolas. Os meios de comunicação devem produzir projetos inspiradas em clássicos da literatura. Já o Estado, como principal gestor da nação deve, por meio de repasses de verbas e incentivos fiscais, facilitar a vendas de livros, especialização de professores de humanas, e aumento da grade escolar com matérias como historia, sociologia, filosofia e artes, para assim obter uma sociedade ética e saudável socialmente como proposta por Jean Paul Sartre.