A desvalorização das ciências humanas no Brasil
Enviada em 15/04/2022
O filme “A Sociedade dos Poetas Mortos” retrata a rotina rígida e autoritária dos alunos da escola preparatória de elite para garotos. O padrão de ensino começa a mudar com a chegada do professor de Inglês e Literatura John Keating que, com o seu método pouco conservador de educação, inspira os alunos e os encorajam a viver de maneira extraordinária. Contudo, o educador é demitido após várias polêmicas envolvendo os pais dos alunos e a sua abordagem educacional. Nesse sentido, tal como na obra, a desvalorização das Ciências Humanas se torna cada vez mais presente no Brasil e isso se dá pelo descaso do poder público perante a disciplina e ao baixo interesse do seu conteúdo diante da Indústria Cultural.
Primeiramente, o atual presidente da república, Jair Messias Bolsonaro (PL), usou a sua conta do Twitter para defender os cortes de gastos nos cursos de Ciências Humanas, argumentando que o dinheiro do contribuinte deve ir para áreas que gerem retorno imediato, como: engenharia ou medicina. Tal pronunciamento vai contra o artigo 205 da Constituição Federal que diz que a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando pleno desenvolvimento da pessoa. Desse modo, a autoridade máxima do Poder Executivo demonstra total descaso em promover políticas públicas que valorizem as Humanidades.
Conseguintemente, no âmbito social, os conhecimentos e as críticas promovidas pelas Humanidades não produzem o interesse de mercado voltado as massas. Os filósofos da Escola de Frankfurt, Adorno E Horkheimer, explicam que a dominação dos meios artísticos e culturais tem como representação, produtos que promovem a satisfação compensatória e efêmera. Nesse sentido, as Ciências Humanas se afastam da utilidade da Indústria Cultural, que, além das descrições citadas, tem como principal característica a alienação dos consumidores, na qual uma mercadoria já é fornecida com o seu significado. O que, por outro lado, as Humanidades promovem a discussão dessa realidade.
Portanto, pelas problemáticas pontuadas, ficam imprescindíveis modos de modificação desse contexto. Para isso, cabe ao Poder Executivo, mediante o Ministério da Educação, aumentar os investimentos conscientes de tecnologias nas escolas públicas voltadas ao estudo das Humanidades para a promoção do pensamento crítico dos alunos e a valorização de tal matéria. Aliado ainda com investimentos nas universidades públicas nos cursos das Humanidades. Ademais, só assim haverá a valorização dos profissionais das Ciências Humanas como o professor John Keating.