A desvalorização das ciências humanas no Brasil

Enviada em 26/04/2022

Manoel de Barros, grande poeta brasileiro, desenvolveu em suas obras uma “teo-

logia do traste” a qual consiste em dar valor a situações frequentemente ignora-das ou esquecidas. Seguindo a lógica do autor, faz-se necessário valorizar as ciên-cias humanas no Brasil. Para isso, é preciso identificar e corrigir as problemáticas, como o sistema de ensino brasileiro e o estigma relacionado a essas ciências.

Nesse sentido, é notório que os alunos não são incentivados a exercerem profis-

sões das áreas humanas. O rapper MC Sid, em sua música “Brasil de quem?” ex-põe as escolas brasileiras, como no verso " as escolas não te educam, só te pas-sam disciplina", criticando o fato de que as o sistema de ensino é falho. Dessa for-ma, percebe-se que o autoconhecimento dos estudantes não é estimulado, e as ciências humanas não são apresentadas de maneira atraente, criando um senti-mento de repulsa por esses esses estudos, e, consequentemente, a desvaloriza-ção desses. Logo, medidas interventivas são necessárias.

Ademais, de acordo com o filósofo iluminista Voltaire, “O preconceito é opinião sem conhecimento”. Diante disso, nota-se que as profissionais das ciências huma-nas sofrem com diversos estigmas no país, como os estudantes de filosofia, os quais são taxados de usuários de maconha, devido aos fundamentos de seus pen-samentos e estudos. Isso ocorre com diversas profissões, mas é presente majori-tariamente nas profissões que lidam com o ser humano em si, o que ocasiona em baixos salários, discriminação e dificuldade de encontrar emprego para essas pro-fissões. Desse modo, nota-se a necessidade de desconstrução do estigma.

Portanto, nota-se a necessidade de intervenções públicas para garantir a valori-zação das ciências humanas no país. Então, cabe ao Ministério da Educação, ór-

gão responsável pela formação educacional de jovens, realizar projetos para co-nhecimento sobre cursos que lidam com o ser humano, por meio de palestras em escolas públicas e particulares, para que os jovens cresçam com outra perspecti-va dessas profissões. Cabe também à Secom, órgão responsável pelas propagan-das governamentais, mudar a visão dos brasileiros sobre essas ciências, por meio de divulgações nas mídias tratando sobre o tema, a fim de que o estigma relacio-nado seja erradicado. Sendo assim, a desvalorização deixará de ser realidade no b