A desvalorização das ciências humanas no Brasil

Enviada em 07/05/2022

O livro “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, narra a história de um país utópico dirigido por um governo totalitário cuja doutrina é pautada no consumo e no lucro. Nesse sentido, o conhecimento adquirido pelos cidadãos é limitado, de forma a evitar possíveis questionamentos quanto ao poder vigente e a perpetuar a manipulação social. Paralelamente à obra, percebe-se, no Brasil, uma desvalorização das Ciências Humanas, marcada, sobretudo, pela lógica da utilidade e baseada em interesses políticos.

Em primeira análise, vale ressaltar de que maneira a mentalidade utilitarista contribui para o desprestígio das Ciências Humanas no Brasil. Segundo os estudiosos da Escola de Frankfurt, a razão instrumental é a razão sendo utilizada como meio para atingir um fim. Nesse contexto, como a Filosofia - por exemplo - não é útil para a reprodução do capital, esta é menosprezada em prol de outras disciplinas que têm utilidade prática - como a Matemática Financeira. Tal panorama, por sua vez, pode ser evidenciado pela maior carga horária escolar para exatas em detrimento das humanas. Desse modo, as Ciências Humanas, por serem vistas com inutilidade para a geração de lucro, são negligenciadas.

Ademais, é comum que governos autoritários invistam cada vez menos nessas disciplinas, uma vez que, por trás dessa ação, há o interesse de se perpetuar no poder por meio da alienação da sociedade, e as Ciências Humanas , nesse caso, contribuem consideravelmente para a construção de senso critico coletivo. Nas palavras do filósofo George Santayana, “aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenandos a repetí-lo”. Assim, o estudo da história do país pode ser o divisor de águas entre a passividade e a consciência social.

Logo, faz-se necessário reverter tal problemática. A fim de que as Ciências Humanas sejam efetivamente valorizadas no Brasil, cabe ao Ministério da Educação, por meio de verbas públicas, estabelecer palestras em escolas, as quais discorram acerca da importância dessas matérias, não para o capital, mas sim, para a compreensão da vida em sociedade. Além disso, é essencial que a carga horária destinada as disciplinas de humanas seja incrementada, com o intuito de ampliar os conhecimentos nessa área, diferente do que foi ilustrado por Huxley.