A desvalorização das ciências humanas no Brasil

Enviada em 23/05/2022

“Diziam que eu era louca de tentar viver de literatura no Brasil”. A frase da escritora Thalita Rebouças, exprime a ideia de que o campo da ciência humana ainda é muito envergonhado em nosso país, seja em virtude da supervalorização de âmbitos da ciência naturais ou falta de investimentos movidos para ciências sociais.

Sob esse viés, pode-se apontar como um empecilho à consolidação de uma solução a carência de investimentos e cortes acerca de currículos e estudos sociais. Segundo Franklin, o investimento em conhecimento sempre paga os melhores juros. Nessa prisma, a utilização de ambientes, materiais, planejamentos e outras condições desqualificadas agravam esse sistema já tão fragilizado, pois dificultam o gerenciamento de projetos e propiciam grandes impactos negativos na sociedade.

Ademais, é necessário salientar o enaltecimento dos números e resultados imediatos na esfera da ciência. Para Striquer, o equilíbrio é um poder que edifica e o desequilíbrio é um poder destruidor. Sob essa análise, torna-se urgente reconhecer que no Brasil, especialistas e projetos voltados para a área das humanidades não vêm sendo contemplados, visto que, melhores oportunidades no mercado de trabalho e retornos financeiros e de resultados instantâneos sucedem do ramo de exatas, o que contribui para o retardo de questões e processos de ação cruciais na sociedade, como na gestão pública. Neste sentido, a interdisciplinaridade deve ser uma forma de equilíbrio para edificar e inovar o conhecimento.

Portanto, faz-se necessária intervenções para conter o avanço da problemática no Brasil. Deste modo, cabe ao Estado em parceria com empressas e instituições de ensino, desenvolver e investir em soluções inovadoras e acessíveis a todas as camadas sociais, como acesso a materiais interdisciplinares de alta qualidade e condições adequadas para o avanço e equalização de campos do conhecimento complementares em nosso meio social. Bem como, apoiar pesquisas e colaboradores à ciências humanas com o propósito de propiciar dedicação integral e otimização curricular. Com isso, será possível que o quadro desfavorável aos diferentes âmbitos das humanidades se reverta no Brasi.