A desvalorização das ciências humanas no Brasil
Enviada em 25/06/2022
Na antiguidade grega, o estudo da filosofia era valorizado socialmente como uma ferramenta a qual preparava os cidadãos para o exercício da política e da vida pública. Contemporaneamente, a filosofia, assim como as demais áreas integrantes das ciências humanas, sofrem, no Brasil, com a desvalorização financeira e social e com o preconceito presente no senso comum da população.
Primeiramente, Josten Gaarder retrata a importância do conhecimento histórico-filosófico em O Mundo de Sofia. Na obra, o autor aborda a vida de Sofia Amundsen, uma adolescente norueguesa, a qual, com a ajuda de Albert Knox, parte em uma jornada de conhecimentopela história da filosofia ocidental como um meio de entender o mundo e os mistérios que a cercam. De maneira contrária, áreas como a história, a filosofia e a geografia são alvos do desprezo social em detrimento de áreas como a engenharia e a medicina, as quais encontram aplicações imediatas em uma sociedade globalizada e tecnológica como a hodierna. Ademais, os cursos de ciências humanas são taxados pelo senso comum como armas de manipulação ideológica, tornando, portanto, o trabalho dos profissionais desta área sucetível ao preconceito da população.
Nesse contexto, o ManpowerGroup ressalta que o setor das atuação das ciências humanas apresentou a menor empregabilidade no ano de 2016. Além disso, os baixos investimentos financeiros destinados pelo Governo Federal às faculdades de filosofia e de ciências sociais reforçam o caminho de desprestígio social o qual os profissionais das humanidades estão submetidos. Dessa forma, o desenvolvimento de uma educação humanística pautada pelo conhecimento crítico do mundo e das relações sociais se encontra ameaçado no Brasil.
Por fim, visando ao alcance da valorização das ciências humanas no Brasil, o Ministério do Trabalho poderia promover o aumento da empregabilidade dos profissionais desta área, além de incentivar a valorização salarial dos mesmos por meio da criação de projetos os quais atendam a estes objetivos. Por outro lado, o Ministério da Educação poderia combater o sucateamento financeiramente dos cursos de ciências humanas por meio da criação de projetos de valorização financeira destes. Assim, as humanidades serão valorizadas socialmente no país.