A desvalorização das ciências humanas no Brasil
Enviada em 14/07/2022
O mundo capitalista trouxe grandes avanços na medicina, engenharia, tecnologia, nas comunicações, nos transportes e nas ciências. No entanto, na sociedade gerada por esse modelo socioeconômico, há uma desvalorização das ciências humanas, especialmente no Brasil. Com efeito, tal descredibilidade ocorre pois o estudo de humanidades não é promissor no modelo econômico supracitado e seus resultados nem sempre atendem ao imediatismo que o mundo capitalista busca.
Nesse sentido, a depreciação das ciências humanas vai de encontro com a atual sociedade consumista. Segundo Karl Marx, em seu conceito “Sociedade de Consumo”, nas sociedades desse modelo as relações sociais se organizam em torno da prática do consumismo de bens e serviços, e as ciências humanas não geram produtos com alto valor comercial ou prático, como a medicina, a advocacia, ou a engenharia. Logo, perante essa visão, os profissionais dessa área não são bem remunerados, o que, por sua vez, desestimula o estudo das humanidades e a busca pela carreira nesse campo do conhecimento.
Outrossim, enquanto o imediatismo for regra, a valorização das ciências humanas será excessão. Nesse viés, destaca-se o movimento iluminista, que ocorreu durante todo o século XVIII, no qual a burguesia europeia revolucionou o pensamento ocidental como resultado do estudo e da valorização das ciências humanas, com destaque para a filosofia. No entanto, esse processo foi lento e gradual, assim como toda e qualquer outra mudança causada na sociedade em razão da ciência em questão, e esse tipo de alteração é descredibilizada no sistema capitalista que sempre busca por resultados de curto prazo ou imediatos.
Medidas são, portanto, necessárias para mitigar tal problemática. O Ministério da Educação, em conjunto com o Ministério do Trabalho, deve, por meio de melhorias na remuneração para profissionais desse campo do conhecimento, incentivar e valorizar as ciências humanas no Brasil. Tal melhoria seria uma forma de adaptar o estudo e as possíveis carreiras da área de humanidades para o contexto capitalista no qual a sociedade brasileira está inserida. Espera-se, com tal ação, que os brasileiros possam se desenvolver no estudo dessas ciências e que busquem as mudanças e melhorias sociais de longo prazo que elas proporcionam.