A desvalorização das ciências humanas no Brasil
Enviada em 08/11/2022
É fato que, no Brasil, existe um índice elevado de desvalorização das ciências humanas. Essa desvalorização acontece desde o âmbito social até o financeiro, promovendo desigualdade até mesmo entre os conhecimentos das pessoas. Esse fenômeno pode ser explicado pela precariedade da educação crítica e libertadora no Brasil e pelo pouco interesse burguês na formação educacional do proletariado.
Em primeiro lugar, Paulo Freire defende, em “Pedagogia do Oprimido”, a implementação de uma educação crítica e libertadora, o que não acontece no Brasil, visto que o sistema educacional vigente não promove pensamento e questionamento, preparando a população para trabalhar, não para criticar. Portanto, pode-se afirmar que a precariedade do ensino libertador e crítico idealizado por Freira contribui para a desvalorização das ciências humanas.
Tendo isso em vista, essa problemática no Brasil também vincula-se à falta de interesse que a burguesia, a classe que domina a política brasileira, tem de oferecer ensino crítico à classe trabalhadora, o proletariado oprimido pelos burgueses. Isso acontece pois, como a teoria marxista afirma, os trabalhadores, na conjuntura capitalista, têm como papel servir aos interesses burgueses, que estão voltados para trabalhos manuais, desvinculados às áreas das ciências humanas, ligadas à crítica e ao pensar.
Desta maneira, é imprescindível que o governo, junto ao Ministério da Educação, o MEC, incentive a implementação de uma educação crítica, libertadora e de qualidade, tal como Freire defende, por meio de palestras e reeducação pedagógica dos docentes, a fim de que a população não continue no estado de alienada e controlada pelo sistema que favorece a burguesia. Além disso, é importante que políticas de valorização das ciências humanas sejam implementadas pelo governo, em parceria com os estados e seus respectivos órgãos de fomento à pesquisa, por meio de investimentos na pesquisa científica, para mitigar a desvalorização econômica e social das ciências humanas, garantindo melhor qualidade de vida para os profissionais dessa área.