A desvalorização das ciências humanas no Brasil
Enviada em 18/07/2022
A medicina moderna tornou-se primordial para o aumento da qualidade e expectativa de vida, uma vez que a partir de observações e quadros anteriores é capaz de concluir um diagnóstico precocemente e prevenir óbitos. Analogamente, as ciências humanas, como história e filosofia, são as ferramentas que a população possui para evitar novas anomias e holocaustos sociais. Dessa maneira, a escassez de conhecimentos históricos e humanos é nociva à sociedade ao impossibilitar a formação de análises críticas e a reflexão histórica.
Sob esse viés, no Brasil, ideias extremistas ganharam força nos últimos anos em um espaço coordenado pelo desdém à Humanidades. Dessa forma, segundo os filósofos da Escola de Frankfurt, como Max Horkheimer, a sociologia e a crítica literária são capazes de “libertar os seres humanos das circunstâncias que os es-cravizam” visto que induz ao raciocínio lógico e rompe com estruturas ideológicas limitantes. Assim, o indivíduo carente de uma base de estudos sociais sólida é, em maior grau, propenso em consentir e replicar conceitos sem análise crítica.
Sob essa ótica, a sociedade brasileira é duplamente afetada, ao passo que, além da privação da autonomia de pensamento, o menosprezo das Ciências Humanas ainda alicerça concepções agressivas e letais. Desse modo, no século XX, o planeta presenciou a tragédia do Nazismo, tal doutrina foi discorrida e veemente combatida ao redor do globo. Na contramão, o Brasil é o país onde o extremismo mais cresce, segundo dados da ONG Anti-Defamation League (ADL). Nesse cenário, o desrespeito às Ciências Sociais configura um abismo na constituição de valores humanos e no estudo analítico de fatos históricos.
Depreende-se, a urgência de conscientização da população sobre os efeitos catastróficos da desvalorização das Humanidades. Cabe, portanto, ao Ministério da Educação em conjuntura ao Legislativo, por meio de emendas, instituir a obrigato-riedade de aulas e debates sociológicos, históricos e filosóficos em escolas e faculdades, a fim de politizar efetivamente as crianças e os adultos. Além disso, cabe aos professores e capacitados, por intermédio de suas redes sociais, divulgar a magnitude transformadora do pensamento crítico, com o intuito de democrati-zar. Isto posto, as Ciências Humanas serão de fato os bisturis da sociedade.