A desvalorização das ciências humanas no Brasil
Enviada em 28/07/2022
No século XVIII o mundo iniciou as revoluções industriais que foram responsáveis por supervalorizar conhecimentos técnicos voltados para as ciências naturais e exatas e por depreciar as ciências sociais. Esse contexto preconceituoso, que per-manece intenso na atualidade, é fortalecido por instrumentos de dominação sim-bólica voltados à desvalorização das ciências humanas e é intensificado pela edu-cação fragmentada, que atrofia saberes sociais transformadores de paradigmas.
Nessa perspectiva, é importante compreender como o perverso símbolo de instru-ções notáveis nas áreas exatas e biológicas estigmatiza o estudo das humanidades. Conforme denuncia o sociólogo francês Pierre Bourdieu, o poder simbólico é uma autoridade invisível que dispõe de instrumentos de dominação reafirmadores e re-produtores de paradigmas. Nesse sentido, a suposta hegemonia de conhecimentos técnicos nas ciências exatas e naturais se tornou símbolo nos ambientes acadêmi-cos, estabelecendo discriminações cruéis entre os jovens universitários e futuros profissionais das ciências humanas. Tal simbolismo social é tão marcante que exis-te um plano do governo brasileiro para diminuir o investimento nessas formações.
Além dessa influência simbólica, vale ressaltar o papel da escola na fragmentação do conhecimento social e na reprodução de paradigmas acadêmicos. De acordo com Edgar Morin, a educação fraciona os saberes de maneira a reduzir a complexi-dade e a diversidade do conhecimento humano, priorizando áreas de estudo e atrofiando saberes cidadãos. Nessa acepção, indivíduos reféns dessa fissura de sa-beres não compreendem que as ciências humanas são tão importantes quanto as ciências exatas e biológicas. Essa fragmentação da educação está tão estabelecida que o percentual de estudantes que se interessam por carreiras nas humanidades é muito infeiror aos estudantes que buscam carreiras técnicas.
Portanto, a fim de combater o preconceito voltado às ciências humanas, é necessá-rio que o sistema educacional, que possui o poder de formar cidadãos ativos nas transformações sociais, impulsione o conhecimento social e a valorização das ciên-cias humanas. Tal ação se efetivará por meio da implementação de uma educação integral, que discuta a complexidade e diversidade humana, construindo uma for-mação cidadã que pode findar tais paradigmas de discriminação nas universidade