A desvalorização das ciências humanas no Brasil

Enviada em 10/10/2022

Na Grécia antiga, o pensamento político e filosófico eram fundamentais para o cidadão, assim foram criadas praças públicas chamadas ágoras, nas quais o debate e a troca de ideias eram suas principais funções. No entanto, no Brasil ocorre uma desvalorização desses pensamentos, hoje chamados de ciências humanas, pois não há estimulos do governo e do sistema econômico vigente.

Primeiramente, para um governo conservador não é interessante que o indivíduo exercite o senso crítico -adquirido com o estudo das humanidades -assim, há maior facilidade em distanciar o cidadão da tomada de decisões do Estado. A exemplo disso, tem-se o Códex, lista de livros proibidos que continham ideias contrárias aos ideais impostos pela Igreja católica, e a posterior queima dos mesmos, alienando seus fiéis do mundo afora do clero. Portanto o desestímulo a educação social pode ser visto como estratégia para a manutenção de um governo nocivo.

Ademais, o desinteresse governamental supracitado é o principal adversário do capitalismo. O consumismo incentivado por esse sistema gera impactos sociais e ambientais, os quais poderiam ser minimizados por uma equipe de cientistas sociais, entre outros, haja vista que medidas sustentáveis causam gastos à empresa logo são descartados. Analogamente, tem-se a quebra da barragem de Mariana em Minas Gerais, cálculos feitos por especialistas mostraram que a multa por danos ambientais sairia mais barato que a manutenção da barragem. Conclui-se que as ciências humanas são desmotivadas pelo capitalismo por apresentarem propostas de sustentabilidade que diminuiriam lucros da empresa.

Sendo assim, medidas devem ser tomadas para mitigar a desvalorização das ciências humanas no Brasil, e uma intituição pode contribuir: a Escola, responsável pela formação do cidadão. Essa, deve ensinar a aplicação das humanidades no cotidiano, por meio de aulas de filosofia e sociologia da atualidade, para que os futuros cidadãos cresçam com a mente crítica e criem uma sociedade aberta a discussões, assim como as antigas ágoras.