A desvalorização das ciências humanas no Brasil

Enviada em 24/09/2022

Nelson Mandela, pai da moderna nação sul-africana, tinha como célebre frase “a educação é a arma mais poderosa que voê pode usar para mudar o mundo”. Tal menção traz uma profunda reflexão que evoca a análise crítica dos indivíduos. Entretanto, a educação no Brasil é tratada de forma contraditória a essa ideia no que diz respeito à desvalorização das ciências humanas. Nesse sentido, é fundamental inserir a assimetria entre as áreas do conhecimento e o individualismo no mundo contemporâneo.

A princípio, é imprescindível destacar a iminência do Brasil de se aliar a uma educação pautada em interesses globais que traz relações assimétricas sobre o conhecimento. Nesse viés, tem-se a maior valorização das demais ciências em detrimento da de humanas, haja vista o piso salarial anacrônico e defasado que se encontra em várias profissões relacionadas à essa área. Nesse caso, é evidente que esse imbróglio é capaz de por em risco o conhecimento essencial para o progresso do país como,por exemplo, o que é ser um cidadão. Logo, se o problema não for solucionado, os brasileiros estarão cada vez mais suscetíveis a serem cidadãos de papel que, segundo o escritor Gilberto Dimestein, são indivíduos que não tem a consciência de seus direitos e deveres, e tampouco tem conhecimento sobre a sociedade e as necessidades para melhorá-la.

Ademais, é importante ressaltar o individualismo como uma das principais pautas para entender a questão. Nesse contexto, se a educação está sendo um meio que atende apenas os interesses pesssoais, obviamente, as ciências mais privilegiadas serão um alvo maior. Sob essa ótica, o sociológo Bauman aponta em sua obra “Modernidade Líquida” que a sociedade se encontra cada vez mais supérflua e individual. Portanto, ainda que todos almejam alcançar suas realizações, isso deveria ser feito de forma mais racional, isto é, ser capaz de saber que outras áreas, como as humanas, agregam valores mais amplos.