A desvalorização das ciências humanas no Brasil
Enviada em 27/09/2022
Com uma herança filosófica ocidental baseada no empirismo lógico, a sociedade brasileira construiu seu conhecimento acadêmico por meio do neopositivismo cultural e valorizou as ciências exatas e biológicas em detrimento das humanas, visando o avanço tecnológico, o lucro e a exploração de mão de obra. Dessa forma, as instituições de ensinos sociais foram depreciadas, criando uma geração de pessoas manipuláveis, antidemocráticas e sem senso crítico.
Em primeira análise, vale salientar que o ensino das ciências humanas é de grande importância para o avanço da sociedade. Pois, sem os questionamentos de tais escolas, as ciências exatas não teriam como fornecer as respostas para explicar fatos do mundo. Como Jared Diamon conta eu seu livro “Colapso”, as primeiras respostas científicas de fenômenos naturais vieram da filosofia, e as populações que negaram conhecimentos filosóficos e históricos declinaram até a ruína. Isso mostra que as ciências sociais são de grande valia para compreender o passado e formar os questionamentos pertinentes à criação do futuro.
Ademais, as ciências humanas são uma importante ferramenta de exercício de democracia, visto que, somente uma população com conhecimento social e senso crítico pode reivindicar seus direitos e questionar as classes dominantes. Segundo Paulo Freire - filósofo e patrono da educação brasileira - o estímulo do senso crítico por meio do ensinamento histórico-filosófico é de grande relevância para a transformação da comunidade. Nesse sentido, além das ciências humanas fornecerem as ferramentas necessárias para o progresso, ainda contribuem para uma sociedade mais justa e democrática.
Dado o exposto, é mister que haja políticas para mitigar a problemática. Posto isto, cabe ao Ministério da Educação a concentração de verbas para a criação de matérias de ciências sociais em todos os cursos de ensino superior do país. Por meio da contratação capacitação e de professores, fazer com que cada curso tenha como matéria obrigatória o ensino da história e/ou filosofia focado na área escolhida. Dessa forma, as ciências sociais terão investimento e reconhecimento correto, fazendo com que a população valorize tais disciplinas, adquirindo conhecimento crítico e rumando para uma sociedade mais democrática.