A desvalorização das ciências humanas no Brasil

Enviada em 09/11/2022

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos superficiais deletérios dessa nação. Não longe da ficção, constata-se aspectos semelhantes no que tange à questão da depreciação das ciências humanas no Brasil. Nessas circunstâncias, tornam-se evidentes, como causadores do problema, a insuficiência legislativa e o silenciamento midiático.

A princípio, identifica-se que a insuficiência legislativa é um dos desafios que favorecem a desvalorização das ciências sociais. De acordo com o filósofo Foucault, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, percebe-se uma lacuna no que se refere à dificuldade governamental em garantir - por meio de investimentos- o pleno respeito a tal ciência. Somado a isso, segundo o IBGE, os recursos destinados a humanística compõe apenas 11,18% do “PIB, em comparação com as outras áreas do conhecimento, o ofusca desenvolvimento do seu estudo. Logo, é preciso mudar essa realidade.

Outrossim, o silenciamento midiático reforça a validação desse problema. Nessa ótica, conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado como um instrumento de democratização, não deveria ser convertido em um mecanismo de opressão. Desse modo, pode-se considerar que a mídia, em vez de promover debate que defenda a promoção das ciências humanas - por meio das melhorias técnicas e financeiras- opta por validar o algoz, devido a sua omissão. Assim, corroboram para que narrativas falsas (que associam o curso de humanas a uma visão estereótipada) ganhe relevância. Em suma, espera-se que a mídia repense seu papel social.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se contrapor a essa nova injustiça. Para isso, é considerável que o governo, recorrendo ao Ministério da Educação, promova a valorização dessa ciência tão essencial. Tais ações devem ocorrer por meio do investimento significativo nos cursos de humanas, além da valorização dos profissionais e estudantes (através da criação de empregos e da criação do plano de carreira). Os efeitos dessas práticas consistem na consolidação da pluralidade no Brasil, como defende Bourdieu.