A desvalorização das ciências humanas no Brasil

Enviada em 11/11/2022

Karl Popper, filósofo da ciência do século XX, defendia o método científico dedutivo-hipotético, onde era possível separar o que era ciência, metafísica, mística e poesia. Nessa concepção de ciência, e na visão de vários outros filósofos contemporâneos desse pensador, ciências humanas não é ciência, pois não existe acordo metodológico e epistemológico no meio delas. Longe da concepção filosófica, está a realidade brasileira que banaliza a área de humanidades por dois motivos: alienação da população com fins de manter poderes políticos e a ignorância da população acerca da importância dessa área da conhecimento.

Convém ressaltar, a princípio, que alienar a população com propósito de obter poder político é um problema a ser enfrentado. Nesse sentido, o Aristóteles, filósofo grego, afirmou que “o homem é um animal político”. Sendo assim, representantes do poder tendo a consciência dessa visão antropológica, temem o pensamento crítico de toda a população, com medo perder o poder caso cada cidadão tome consciência que é essencialmente um ser político e que pode reinvindicar seus direitos.

Outrossim, outra problemática a ser combatida é a ignorância da sociedade sobre a importância das ciências humanas. Nessa perspectiva, o sociólogo Mantegazza destaca: “a ciência é instrumento para medir nossa ignorância”. Desse modo, o pensamento do autor seria bem aplicado a área das humanidades, pois é esse campo de saber que traz a tona quais as maiores ignorâncias filosóficas, sociais e políticas que um indivíduo tem, e não saber disso leva a um afastamento da própria sociedade dessa área do conhecimento.

Portanto, é preciso haver maior investimento nas ciências humanas desde o ensino básico até a pesquisa na pós-graduação. Para que isso ocorra é necessário que o poder legislativo garanta a obrigatoriedade de disciplinas de humanidades em todos os níveis de ensino e, também, faz-se necessário que os governos federal, estaduais e municipais invistam em programas de incentivo a docência e a pesquisa nessa área. Dessa forma, aumentariam o interesse das pessoas em trabalhar com as ciências humanas e seria um conhecimento que teriam acesso desde a educação básica.