A desvalorização das ciências humanas no Brasil

Enviada em 03/07/2023

O papel designado as diferentes áreas de conhecimento contribuem para o desenvolvimento humano em diferentes aspectos, porém é notável que os segmentos inerentes a organização política, compreensão econômica e conhecimento histórico social dos povos, genericamente chamado de ciências humanas sofre um recorte, não somente de investimentos mas também de valoração. Diante disto, surge o questionamento: seria o ataque as ciências humanas um projeto político e de classe pensado previamente?

Darcy Ribeiro, grande pensador brasileiro e do movimento trabalhista ao debater o papel do governo na educação afirma em interessante reflexão que " O ataque ao sistema público de educação (especialmente a Humanidades) não é coincidência mas sim um projeto". Está proposição encontra surpreendente concordância com a fala do magnata americano Warren Buffet " A luta de classes existe, e nós (classe político burguesa) estamos vencendo", ou seja, existem interesses opostos na administração de um estado, e as ciências humanas são um perigo para esse controle e reflexão acerca desta situação.

Consequentemente, a ótica sobre a qual estas matérias são tratadas e vistas em âmbito social ganha aspecto negativos, onde profissionais da História, Filosofia, etc, são acusados de serem doutrinadores, o infame “marxismo cultural”. “Uma mentira contada mil vezes se torna realidade” dizia o propagandista nazista Joseph Goebbels, um fato que a extrema direita brasileira e internacional entenderam bem, o próprio governo Bolsonaro cortou mais de 70% das bolsas destinadas a Humanidades, em claro ataque ao pensamento social crítico.

Portanto, solucionar está questão passa por esforços constantes dos Ministérios da Educação, Cultura e de partidos progressistas. Os Ministérios devem via propaganda, retomada de investimentos em pesquisa e de uma política dialética entre academia e povo promover esta integração, objetivando uma mudança gradual da opinião pública e prestígio dessas matérias, algo possível pela maior inserção das universidades na vida social que as rodeia via palestras, cursos e maior participação em comunidades, pois a mudança da perspectiva sobre a área humana social é e será o elemento essencial para uma nova sociabilidade e vida.