A desvalorização das ciências humanas no Brasil
Enviada em 14/09/2023
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Segundo a lógica barrosiana, é preciso, portanto, valorizar também as ciências humanas no Brasil - já que grande parcela social não enxerga tal entrave com a devida relevância. Assim, vale ressaltar que a negligência governamental e a carência de estímulo ao conhecimento são fatores que devem ser combatidos.
Diante desse cenário, é lícito postular a passividade governamental no combate ao revés supracitado. Para entender essa lógica, alude-se ao pensamento do contratualista John Locke, o qual, em seu contrato social, afirmou que o Estado deve garantir os diretos imprescindíveis dos indivíduos. Ao observar a falta de investimentos nas ciências humanas no Brasil, nota-se um rompimento no pacto estabelecido pelo filósofo. Dessa forma, é ilógico um país que espera alcançar um patamar de nação desenvolvida, manter uma sociedade que desvaloriza o conhecimento humano.
Ademais, a irrefutável influência da carência de estímulo ao conhecimento é um fator que dificulta a sua resolução. Sabe-se que na sociedade imediatista contemporânea, as pessoar buscam coisas que sejam de utilidade imediata, porém a função do conhecimento é entender a sociedade e se não houver estímulo para que os cidadãos se interessem, eles não irão compreender o real sentido das ciências humanas. Desse modo, enquanto a educação brasileira caminhar a passos curtos, desafios contemporâneos, como a falta de investimentos na área, continuarão a afligir a nação.
Fica explícito, então, que maneiras de reter a desvalorização das ciências
humanas no Brasil precisam ser debatidas. À luz disso, o Estado - responsável pelo bem-estar social, deve garantir políticas públicas que intervenham na promoção do conhecimento para os cidadãos, acerca das ciências humanas, por meio de palestras e postagens nas redes sociais. Isso deve ser feito com o objetivo de degradar o desconhecimento gerado pela falta de informação