A desvalorização das ciências humanas no Brasil
Enviada em 28/07/2024
São direitos sociais a educação e o trabalho. Assim, versa o artigo sexto da Constituição Federal, principal dispositivo do aparato jurídico nacional. Embora a lei seja definida pelo filósofo francês Jacques Rousseau como ordenação da vontade geral sobre um tema, tal afirmação aparenta contrastar com a realidade brasileira. Portanto, não é surpresa o ataque à educação vista como não utilitária, ou seja, aquela não focada no atendimento de demandas mercadológicas e, que ainda, elucida as causas estruturais de desemprego e concentração de renda.
Seguramente, pode-se elencar importantes avanços na democratização da educação. Com a instituição de um regime repúblicano no final do século XIX, observou-se que a instrução, mesmo que básica, seria fundamental para o desenvolvimento econômico-social da nação. Dessa forma, políticas voltadas a este fim, resultaram, de acordo com o IBGE, na queda da taxa de analfabetismo de 64% para menos de 10% na população adulta. Tal feito, aliado a mudanças tecnológicas, implicaram em um salto na qualidade de vida e renda do brasileiro.
Porém, o foco puramente utilitarista do processo educacional não é capaz de formar completamente um cidadão. Não é incomum a opinião que ciências humanas ou a filosofia não servem para nada. Neste sentido, os filósofos Aristóteles e Gilles Deleuze afirmam que aí mora sua maior utilidade, pois, justamente por não “servirem a algo ou alguém”, não estão submetidas a interesses, mas, tão somente, à denunciar a baixeza do pensamento, questionar, problematizar. Assim, percebe-se que o discurso da não necessidade destas ciências surge e é patrocinado, justamente para atender a um projeto econômico de alienação dos cidadãos, cegando-os quanto à real responsabilidade sobre as condições de vida degradantes as quais são sujeitados.
Desse modo, cabe ao Estado brasileiro atuar concretamente neste tema. Por meio do Ministério da Educação pode modificar os dispositivos pedagógicos já existentes, fortalecendo as disciplinas de ciência humanas e a prática de atividades lúdicas relacionadas, como rodas de leitura, debates e oficinas. Certamente, tais ações resultarão em uma formação mais plural e cidadã, contribuindo para a efetivação dos direitos à educação definidos na Constituição Federal.