A desvalorização das ciências humanas no Brasil

Enviada em 01/11/2024

No período histórico das Grandes Navegações, notou-se uma desvalorização generalizada da sabedoria milenar dos indígenas por parte dos portugueses, corroborando assim na represália e apagamento histórico desses aborígenes. Em relação ao contexto hodierno, essa depreciação de certas áreas do conhecimento se mantém pertinente, visto que as ciências humanas estão sendo desprivilegiadas dentro das Universidades e do mercado de trabalho. Diante disso, é necessário que haja uma explanação em relação à perda histórico-social que essa defasagem causa e o impacto causado às gerações futuras.

Desse modo, sob a óptica social, as ciências humanas resplandecem pouco retorno financeiro e possibilidade de ascensão social. Por isso, há uma rejeição inconsciente de estudar e aplicá-la, consequentemente, instaurando um estado de alienação da realidade, pois o senso de criticidade e de leitura estará em constante empobrecimento. Sob esse viés, cabe citar o filósofo Edmund Burke, que afirma que um povo, ao não conhecer sua história, está condenado a repeti-la. Dessa maneira, é nítida a tragicidade advinda da ignorância, pois o passado se é ocultado pelo esquecimento e o futuro torna-se caliginoso devido a falta de perspectiva.

Outrossim, é válido ressaltar que esse preconceito instaurado prejudicará demasiadamente a descendência brasileira, já que haverá um decaimento nas vagas de emprego e salários oferecidos nessas áreas. Sob esse prisma, é válido referenciar o jornal BBC ao analisar que apenas 15% dos gerentes americanos foram formados em cursos de humanas. Constata-se, pois, os índices de progressos de carreira extremamente desestimulantes para os jovens que pretendem ingressar na área, gerando assim uma série de desistências e insatisfações nesse setor, que ocasiona uma falta de perspectiva profissional.

Em síntese, configura-se como essencial a reanálise desse cenário, como forma de ampliar a magnitude e respeito por essas matérias do conhecimento. Logo, cabe ao Governo Federal, como agente resolutor máximo, aliado ao Ministério da Educação, o aumento do piso salarial desses grupos, por meio de projetos de lei que aprovem essa medida, para que esse campo de atividade volte a ter destaque.